terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Tempo em Recortes no Museu da UFPA

 "Belém do Pará", de Joseph León Righini
 "La Sirène", de Denys Puech
Obra de Ruy Meira
Continua até o dia 28 de fevereiro a exposição Tempo em Recortes, com doze obras produzidas até 1980, ilustrativas da arte preservada e difundida no acervo do Museu da UFPA, que, este ano, completa 30 anos de funcionamento. A mostra tem obras de Joseph Leon Righini, Theodoro Braga, Antonieta Feio, Benedito Mello e de outros importantes artistas, nascidos no Pará ou com forte ligação com o Estado. Com curadoria da professora Jussara Derenji, diretora do MUFPA, a exposição Tempo em Recortes é uma parceria com a Editora da UFPA. 

A obra do italiano Joseph León Righini, considerado o maior paisagista da Amazônia no século XIX, homenageia Belém no mês de seu aniversário e demonstra a riqueza do acervo da instituição. Seu óleo sobre tela "Belém do Pará", de 1868, medindo 105 x 210 cm, é a pintura exposta em museu brasileiro que traz o mais antigo registro da cidade. Autor de pinturas, desenhos e aquarelas, chegou ao Brasil como cenógrafo. Durante as quase três décadas em que aqui viveu, a maior parte em Belém, foi também professor de Desenho, gravador e fotógrafo, e dedicou grande parte de sua longa estada na região ao registro de cenas urbanas e, de forma pioneira, da natureza ao seu redor. A obra tem uma história curiosa: pertenceu ao Imperador D. Pedro II, que presenteou à sobrinha Francisca de Orléans, por seu casamento com o Duque de Chartres, na França. Décadas depois, o quadro seria comprado em Paris e trazido a Belém, em 1965, para integrar o acervo da UFPA. Joseph León Righini morreu em Belém, em 1884, na Santa Casa, em situação de miséria. Seus bens foram leiloados em hasta pública no Pará. A divulgação de sua obra cumpre também a função de resgatar a memória do artista. 

Outro destaque da exposição é a escultura "La Sirène", de Denys Puech, que também é o símbolo do Museu da UFPA, e a tela "Heróis do Rio Formoso", 1939-1940, de Theodoro Braga, que precisou passar por minucioso restauro antes de compor a mostra. 

Antonieta Feio, com "Retrato de Mulher", e Carmen Sousa, com a escultura premiada "Cabeça de Negra Paula", consideradas personalidades femininas mais importantes dos anos 1930-50 nas artes paraenses, também pontificam na mostra. Há, ainda, trabalhos preciosos de Armando Balloni, Augusto Morbach, Benedicto Mello, Carmen Sousa, Manoel Pastana, Ruy Meira e Valdir Sarubbi, todos do acervo do MUFPA. 

A visitação é de terça a sexta, das 9h às 17h; no sábado e domingo, das 10h às 14h. O Museu da UFPA fica na Av. Governador José Malcher, nº 1192, bairro de Nazaré, em Belém.

Antonio Fonteles se foi

O médico Antonio Carlos Fonteles de Lima, ex-presidente do Ipasep, Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores Públicos do Pará, irmão mais velho do saudoso ex-deputado Paulo Fonteles de Lima, que estava internado há 16 dias no Hospital Saúde da Mulher, não resistiu e morreu há pouco. O velório será na capela Max Domini, em frente ao cemitério Santa Izabel. Que Deus o receba em paz e conforte seus familiares.

Quilombolas denunciam milícias


A Associação Comunitária de Remanescentes de Quilombo da Comunidade de São Sebastião Cipoal, no rio Pacajá, localizado no município de Portel, arquipélago do Marajó, registrou boletim de ocorrência policial contra a ABC/Cikel. Moradores acusam a empresa de coerção. Conforme o BO lavrado na delegacia do município, três indivíduos conhecidos apenas por Tonhão, Nildo e Sílvio, armados de espingarda, trajando fardamento do Exército Brasileiro, estão invadindo as casas dos moradores e tomando ferramentas de trabalho (caça e pesca) e agredindo os ribeirinhos, alegando que ocupam área da Cikel. Na comunidade Nossa Senhora do Carmo, agrediram o senhor Alacid Maria Moraes com um soco e levaram todos os seus pertences, no dia 12 deste mês. 

Os problemas agrários na região vêm crescendo de forma assustadora, gerando clima de violência e terror. As populações tradicionais e os ribeirinhos do rio Camarapi (da boca do rio Toré à foz do rio Camarapi – Caminheiros do Bem), denunciam há anos que estão sofrendo com o tratamento dispensado por policiais militares e seguranças particulares armados a mando da ABC/Cikel, que, de forma arbitrária, truculenta e autoritária, humilham, maltratam e ameaçam os pais e mães de famílias daquela área. Inúmeros casos chegaram ao Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Portel e à Delegacia de Polícia Civil de Portel. No início do ano passado, sob forte ameaça, comunitários foram orientados pela milícia a abandonar a área onde moram e de forma legal tiram o seu sustento. 

Mediante esses fatos, os vereadores da Câmara Municipal de Portel aprovaram, na sessão de 08 de maio de 2014, a Moção de Repúdio nº 002/2014 contra a ABC/Cikel. Várias famílias estiveram nas galerias da Câmara empunhando cartazes pedindo socorro aos legisladores, que encaminharam expedientes pedindo providências ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, ao Incra, ao Iterpa, à Secretaria de Estado de Meio Ambiente, ao Comando Geral da Polícia Militar do Estado do Pará, ao Comando de Policiamento Regional XI – Marajó, ao 9º Batalhão de Polícia de Breves, à Corregedoria da Polícia Militar do Pará, à Secretaria Estadual de Segurança Pública e Proteção Social, à bancada do Pará na Câmara e no Senado Federal, ao Bispo do Marajó e acompanhante da Comissão Justiça e Paz da CNBB Norte II, Dom José Luiz Azcona Hermoso, ao Ministério Público Federal e à Ouvidoria Agrária Nacional.

Na noite do dia 14.05.2014, representantes da ABC/Cikel estiveram na Câmara Municipal de Portel para uma reunião com os vereadores, a fim de tratar acerca da Moção de Repúdio contra a empresa e dos pedidos de providências aos órgãos ambientais, à PM e ao MPF, sobre as inúmeras denúncias feitas por ribeirinhos e povos tradicionais. No encontro, que contou com a presença de nove vereadores, os gerentes, assistente social e advogado da empresa propuseram a criação de uma comissão, formada por moradores do Alto Camarapi, vereadores, Poder Executivo e sindicato rural, destinada a acompanhar a situação. Segundo os representantes da ABC/Cikel tudo não passaria de um equívoco, que seria elucidado. Mas, como se observa, nada foi resolvido, a situação é grave e é preciso a ação urgente da Prefeitura, do Estado, da União e do MPF, antes que se concretizem mais crônicas de mortes anunciadas.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Dissidência recua na Alepa

Os bizuns de que haveria outra chapa em formação para a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, cuja eleição e posse será no próximo domingo, dia 1º, colocaram em efervescência os bastidores políticos parauaras. Treze deputados estaduais, digamos, insurgentes, planejavam somar 21 e emplacar outro nome no lugar da deputada Ana Cunha(PSDB) na 1ª Secretaria da Casa. Seria o deputado Júnior Ferrari(PSD), que já foi duas vezes 1º vice-presidente e não esconde sua disposição de pleitear a presidência da Alepa, no biênio 2017/2018. 

Mas o presidente, deputado Márcio Miranda(DEM), agiu rápido e escanteou a galera. Como as vagas na chapa que montou para sua reeleição são dos partidos que o apoiam, só os candidatos à Mesa alcançam 26 votos, mais dois relativos ao novo líder do Governo, deputado Eliel Faustino(SDD), totalizando 28 votos, mais do que suficientes para garantir a a eleição, sem qualquer espaço para uma virtual dissidência. 

A chapa está assim composta: presidente, Márcio Miranda(DEM - 2 deputados), 1º vice-presidente, Fernando Coimbra(PSD - 3 deputados), 2º vice-presidente, Cássio Andrade (PSB - 2 deputados), 1ª Secretaria, Ana Cunha (PSDB - 6 deputados), 2ª Secretaria, Chicão(PMDB - 8 deputados), 3ª Secretaria, Tião Miranda (PTB, 2 deputados) e 4ª Secretaria, Airton Faleiro (PT - 3 deputados).

Ao ser informado dessa conta na ponta do lápis, hoje, o movimento recuou. E, após rodadas de conversas que ocuparam o fim de semana de todos, a chapa única vai fortalecida para o dia D.

MP não contesta vaga de cotista da UEPA

A promotora de Justiça de Educação, Maria da Graça Cunha, distribuiu esta nota à imprensa hoje à tarde: "A Lei nº 12.711, conhecida como Lei de Cotas, foi sancionada para ser aplicada no âmbito das Instituições de Ensino Superior (IES) públicas federais. Ela estabelece critérios por meio da Portaria Normativa nº 18, de 11/10/2012. No entanto, as universidades públicas estaduais adotaram políticas de ações afirmativas que regem o sistema de distribuição de vagas nos vestibulares. A adoção do sistema de cotas sociais, no caso da Universidade do Estado do Pará (Uepa), considerou dois critérios: os estudantes que cursaram o ensino médio em escolas públicas ou como bolsistas na rede privada de ensino. Os critérios adotados pela Uepa foram definidos por meio do Edital nº 039/2014/Uepa/Prosel. Critérios esses aprovados pelo Conselho Universitário da Uepa (Resolução nº 2.719/2014, de 18/6/2014) e ratificados por seus órgãos superiores: Pró-Reitoria de Graduação e Reitoria. Com base nos princípios constitucionais que estabelecem a autonomia das universidades e da Lei de Diretrizes Básicas (LDB), a Uepa estabeleceu esses critérios que podem ser aperfeiçoados no futuro. Para este vestibular, o que deve prevalecer é o Edital nº 039/2014. Portanto, do ponto de vista legal, todos os que se inscreveram e comprovaram a condição de bolsistas na rede privada de ensino, estão aptos a assumirem as vagas."

UEPA já cumpriu a liminar

A reitoria da UEPA determinou o imediato cumprimento da decisão, assim que recebeu a liminar do juiz de Soure, Antonio Carlos de Souza Moitta Khoury. O estudante José Roberto Ramos Costa já está matriculado. 

Deputado processado pela Justiça Militar

Pela primeira vez na história do Pará, um deputado estadual será processado e julgado pela Justiça Militar por crime militar propriamente dito (durante a ditadura os que responderam a processos eram civis e estavam sob a égide da Lei de Segurança Nacional). Trata-se do Soldado Tércio (PROS), que, junto com cerca de 40 outros policiais militares, participou do motim, em abril do ano passado, que chegou interditar a BR-316. A partir da segunda-feira (2), começam os interrogatórios, inclusive do já deputado (a posse na Alepa será no domingo). É que a prerrogativa de foro prevista na Constituição Estadual se limita aos crimes comuns e não existe quanto aos militares. Todos os envolvidos nos protestos foram denunciados pelo promotor militar Armando Brasil. Além do motim, também vão responder pelos crimes de incitação, recusa à obediência a ordem superior, obstrução de via pública e lesões corporais, dentre outros previstos no Código Penal Militar. Se condenados, a pena pode alcançar  até 10 anos de reclusão, com o agravante de que se superar dois anos, o PM tem que ser excluído da corporação. E o promotor Armando Brasil já avisou que vai requerer ao Tribunal de Justiça do Estado a imediata perda de posto dos réus. O deputado Soldado Tércio poderá perder o mandato.

A lei de anistia aos militares amotinados, promulgada pela Assembleia Legislativa, só tem validade no âmbito administrativo, e a única esperança dos réus é uma providencial lei federal de anistia, que é de iniciativa exclusiva da Presidência da República. Mas, no ano passado, a presidente Dilma Rousseff já adiantou que não encaminhará lei ao Congresso Nacional nesse sentido.  

Servidor da UEPA não cumpriu liminar






Além de mandar matricular imediatamente o estudante José Roberto Ramos Costa no curso de Química da UEPA em Salvaterra, no arquipélago do Marajó, o juiz Antonio Carlos de Souza Moitta Koury, da comarca de Soure, estabeleceu multa diária de R$5 mil pelo descumprimento da ordem judicial, e determinou a imediata notificação do servidor responsável pela matrícula. Apesar disso, a mãe do estudante, Érica Ramos, foi, acompanhada pelo oficial de Justiça, fazer a matrícula, e Renato Lobato, servidor que administra o campus, recebeu a decisão, mas não a cumpriu. Disse que ela voltasse no próximo dia 30, último dia de matrícula na instituição.  Questionada por este blog, a reitoria da UEPA, em resposta à solicitação de posicionamento a respeito, informou que "no momento em que a mãe do candidato compareceu ao campus, a Universidade ainda não havia sido notificada oficialmente. Contudo, a instituição irá cumprir a decisão judicial."

MPF denuncia ex-prefeito de Placas

procurador da República Rafael Klautau Borba Costa cansou de esperar e ajuizou ação por improbidade administrativa contra o ex-prefeito de Placas, Maxweel Rodrigues Brandão, que não atendeu pedido do Ministério Público Federalfeito em março de 2012, para que apresentasse documentos sobre licitação e contrato no valor de R$281 mil, recursos federais para o transporte escolar. O MPF também acusa Brandão do extravio de documentos públicos que deveriam ter continuado na prefeitura após o término de sua gestão, em dezembro de 2012, e pede a condenação do alcaide, com ressarcimento aos cofres públicos, suspensão de direitos políticos por até cinco anos, perda da função pública que eventualmente esteja ocupando, além de pagamento de multa de até cem vezes o valor da remuneração recebida como prefeito e, ainda, proibição de contratar com o poder público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, pelo prazo de três anos. 

Na época, o então prefeito apresentou apenas parte dos documentos,  sem qualquer justificativa. Em 2013 o MPF voltou a requisitar a documentação, mas a nova gestão da prefeitura de Placas informou que todos os documentos relativos a licitações haviam sido extraviados pelo ex-prefeito. 

O processo nº 0000207-40.2015.4.01.3902 tramita perante a 1ª Vara Federal em Santarém. Confiram aqui a íntegra da petição. 

Façam o acompanhamento processual aqui.

Defensoria garante vaga na UEPA

A Defensora Pública em Soure, Flávia Maranhão, conseguiu liminar na Justiça que garante o direito à matrícula na Universidade do Estado do Pará (UEPA) ao estudante José Roberto Ramos Costa, cujo nome constou do listão de aprovados da instituição, mas que dias depois recebeu comunicado informando ter sido um erro do sistema. Ele tem 17 anos, é estudante de escola pública e foi aprovado para o curso de Licenciatura em Química. Outros dois vestibulandos vítimas do mesmo equívoco da UEPA não procuraram a Defensoria Pública. O PM William Mendes procurou advogado particular.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Marcha de Belém contra tabalho infantil



No próximo dia 1º de março, a Marcha de Belém pela erradicação do Trabalho Infantil fará concentração às 8h na Praça Batista Campos, com saída às 8:30h. O percurso inclui a rua dos Mundurucus, trav. Benjamin Constant, avenidas Nazaré e Assis de Vasconcelos, rua Osvaldo Cruz, Av. Presidente Vargas e Teatro da Paz, na Praça da República (local de chegada)O evento é coordenado, em todo o País, pela juíza do Trabalho titular da 5ª Vara do Trabalho de Belém, Zuíla Dutra, que, junto com a juíza Vanilza Malcher, da 2ª VTB do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região, também gestora regional da campanha "Dê um Cartão Vermelho ao Trabalho Infantil" e parceiros, convidam todos a participar.

A ideia é conscientizar a sociedade sobre a importância de unir esforços pela proteção da infância e o desenvolvimento integral das crianças e adolescentes. 

Logo na primeira semana do ano, as coordenadoras regionais de combate ao trabalho infantil, juízas Zuíla Dutra e Vanilza Malcher, receberam da Secretaria de Educação do Estado do Pará os questionários aplicados junto aos alunos das escolas públicas estaduais, entre 07 a 17 anos. No material, elaborado com o auxílio de parceiros, foram levantadas informações sobre a realidade do impacto do trabalho na vida dessas crianças e jovens. Com isso, a base de dados da pesquisa, que prevê a aplicação de mais de um milhão de questionários em todo o Pará, já tem início com os mais de 300 mil alunos das escolas estaduais localizadas na grande Belém, que engloba a capital do Pará e sua zona metropolitana. A tabulação desse material será realizada pela UFPA, por meio de seu Instituto de Pesquisa. Para selar a participação da universidade, as magistradas estiveram em reunião na Reitoria, quando apresentaram para os professores o questionário, detalharam a ação e explicaram como o Instituto poderia contribuir para a compilação dos dados já recebidos e os que ainda irão chegar, pois alguns municípios já estão respondendo ao ofício encaminhado, convidando para aplicar a pesquisa nas suas redes de ensino, como é o caso de Abaetetuba, que planeja aplicar o questionário para todos os seus alunos. 

Em visita de cortesia ao prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho, o presidente do TRT8, Desembargador do Trabalho Sérgio Rocha, apresentou a ação da pesquisa e destacou seu ineditismo, já que o objetivo é levantar dados concretos sobre o impacto do trabalho infantil no desenvolvimento de crianças e adolescentes, incluindo os fatores de evasão escolar, junto ao próprio público atingido. Convidado a participar, o prefeito determinou que a Semec buscasse os detalhes para aplicar a pesquisa junto aos alunos da rede municipal da capital paraense. Os resultados do primeiro material aplicado junto aos alunos dos dois municípios, bem como dos alunos da rede estadual de ensino de Belém e zona metropolitana, serão entregues em junho deste ano, no Palácio do Planalto, quando da Marcha Nacional pela erradicação do trabalho infantil, na capital federal. 

A Marcha de Belém pela erradicação do trabalho infantil consiste em uma caminhada da sociedade civil, nas ruas de Belém, contra a exploração do trabalho de crianças e adolescentes e pela garantia de uma vida plena de educação, saúde, lazer e amor, e de todos os demais direitos que o artigo 227 da Constituição Federal lhes assegura. Para ampla participação da população, as coordenadoras têm realizado reuniões com todos os parceiros. Faculdades participarão da compilação dos dados da pesquisa e incluirão a participação de seus novos calouros na marcha como uma atividade de início das atividades letivas.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Hoje, 257 anos de Portel

Foto: Prefeitura de Portel
Foto: Eunice Pinto
As origens de Portel, no arquipélago do Marajó, remontam à metade do século XVII, quando o Padre Antônio Vieira fundou a aldeia de Arucará, com índios Nhengaíbas da Ilha Grande de Joanes, administrada pelos padres da Companhia de Jesus. O historiador Carlos Roque informa que no ano de 1758, Portel foi elevada à categoria de vila pelo então presidente da Província, Mendonça Furtado, em 24 de janeiro. No ano de 1786, a vila sofreu ataque dos índios Mundurucus, no qual morreram alguns de seus moradores. 

Em 1833, por decisão do Conselho do Governo da Província, Portel teve cassado o seu título de Vila, ficou anexada a Melgaço e só em 1843 recobrou a autonomia.  Em 1864, o naturalista Domingos Ferreira Pena visitou a localidade e descreveu que em Portel havia 84 casas distribuídas em quatro ruas e oito travessas, e que na frente havia uma longa ponte de madeira que avançava para a baía, para embarque e desembarque de cargas. À esquerda da ponte ficava a única casa de sobrado existente, onde se reunia a Câmara Municipal. Ferreira Pena observou que a Igreja matriz era toda feita em madeira, e que seria a mesma construída pelos Jesuítas, no início do século XVIII, onde se destacava no teto presença ainda de "[...]primitivas pinturas representando várias cenas referidas nos Santos Livros, cada uma com sua inscrição apropriada." (Pena - 1973, p.108). 

O Município de Portel tem área de 25.384,865 Km², faz limites com os municípios de Melgaço(norte), Oeiras do Pará(leste), Itupiranga e Porto de Moz (sul) e Senador José Porfírio(oeste). Dista de Belém 326 Km, via fluvial, e 27 Km, via aérea.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Petrogate começa a ficar acessível ao povo

Anteontem, o juiz federal Sérgio Moro liberou o conteúdo do acordo de delação premiada entre o doleiro Alberto Youssef e o MPF, homologado pelo ministro Teori Zavascki. Veja a íntegra aqui.

Um vereador explosivo

O ex-deputado estadual parauara João Batista Babá(PSol) promete esquentar ainda mais o verão do Rio de Janeiro, que já alcança temperaturas infernais. Caloroso por natureza, Babá, que transferiu seu domicílio eleitoral há anos, obteve cerca de 11 mil votos em 2012 e não conseguiu se eleger, mas a partir do próximo dia 2 de fevereiro ganhará dois anos de mandato de vereador no Rio, na vaga de Eliomar Coelho (PSol), que se elegeu deputado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Babá arrumou confusão em território carioca e ganhou notoriedade ao queimar a bandeira de Israel, em 2012, e agora promete tentar reativar a CPI dos Ônibus, destinada a apurar a existência de suposto cartel no setor. O transporte no Rio é caótico e dominado por empresas. Seremos oposição intransigente.” Como se alguma vez tivesse transigido...

Babá é um dos fundadores do PSol, seu primeiro mandato foi como vereador em Belém, em 1989, e chegou a deputado federal em 1999, sempre pelo PT, partido que também ajudou a fundar e do qual foi expulso pelo ex-presidente Lula, em 2003, junto com Heloísa Helena e Luciana Genro, quando os três votaram contra a reforma da Previdência. O relator do seu processo de exclusão dos quadros petistas foi Delúbio Soares, Babá se diverte ao lembrar.

Um dia, estava no Largo da Carioca e um judeu passou me xingando de terrorista. Mas eu não sou: fiz aquele ato em defesa de um povo”, contou Babá, que se defende do ato radical de queimar a bandeira de Israel explicando que foi em repúdio ao massacre contra os palestinos

Quem conhece Babá sabe que vamos ter muitas notícias dele de agora em diante. Possivelmente em cadeia nacional.

Dica para este sábado

Olhem aí que deliciosa iniciativa! Vamos prestigiar, gente! Artes plásticas, música e gastronomia, tudo junto e misturado com sabor do Pará. É amanhã de manhã, não faltem.

Soldados doam cabelos a escalpeladas

Vejam que belo exemplo a ser seguido: as soldados da Polícia Militar Darilene Monteiro e Ariane do Socorro, alunas do II Curso de Operações Fluviais da PM, decidiram cortar e doar seus longos cabelos a mulheres vítimas de escalpelamento atendidas no Espaço Acolher, que integra o Programa de Atenção Integral a Vítimas de Escalpelamento, da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará. Além de evitar que as madeixas atrapalhem na adaptação ao curso, tanto na parte técnica quanto na tática, elas fizeram uma boa ação e também se aproximaram da realidade das mulheres ribeirinhas. Erradicar os escalpelamentos nos rios da Amazônia ainda é um grande desafio. A Capitania dos Portos da Marinha doa equipamentos de proteção do eixo do motor para as embarcações, mas nem todos os ribeirinhos sabem disso. E às vezes é muito longe para irem buscar essa ajuda. Em 2014, 18 casos chegaram aos cuidados do Espaço Acolher.

Testemunha da matança de cães executada

Lucas Pardauil da Costa foi executado com quatro tiros na cabeça, na estrada de Jenipapo, no município de Santa Cruz do Arari, no Arquipélago do Marajó, no sábado passado. Seu corpo foi encontrado por moradores do local e o caso já chegou ao conhecimento do delegado geral de Polícia Civil do Pará, Rilmar Firmino. Ele era uma das dez testemunhas do caso da matança de cães em Santa Cruz do Arari, que ganhou repercussão internacional e foi objeto dos processos nº 0000468-46.2013.814.0000 (Procedimento Investigatório Criminal nº 01/2013-PJSCA) e nº 0000517-87.2013.8.14.0000 (Inquérito Policial nº 40/2013.000511-0), além de denúncia da promotora de justiça local, Jeanne Maria Farias de Oliveira, e do procurador de Justiça Nelson Medrado perante as Câmaras Criminais Reunidas do Tribunal de Justiça do Estado, e cuja oitiva das testemunhas está prevista para começar na semana que vem. Lucas Pardauil estava trafegando de moto na estrada vicinal, à noite, fazendo um frete, e até agora não se sabe detalhes sobre o crime. As demais nove testemunhas estão com medo.

Leiam a denúncia do MPE-PA na íntegra aqui.

Jatene vai depor à Comissão da Verdade

Foto:Antonio Silva
A Comissão Estadual da Verdade, representada pelos seus membros titulares Egydio Salles Filho(presidente), deputado Carlos Bordalo, Paulo Fonteles Filho, Renato Marques Neto e Franssinete Florenzano, além da secretária executiva Angelina Anjos, conversou com o governador Simão Jatene, hoje de manhã, em audiência em seu gabinete no Hangar. Foi exposto o andamento dos trabalhos, além das questões administrativas e demandas para o bom funcionamento da Comissão, como a cessão de um espaço adequado e equipado. Na ocasião, o governador Simão Jatene foi convidado e aceitou prestar depoimento acerca do que vivenciou durante a ditadura militar, a memória das passeatas de 1978 em Belém, e o "Happening". Emocionado, Jatene relembrou alguns episódios do tempo da universidade, enfatizando as contradições da censura imposta pelo regime, e chegou a cantarolar uma música que fez para Che Guevara, entoada durante o Festival Latino-Americano de Teatro Universitário, na Colômbia. "Eu nada mais fui do que um cantador que não escolhe o seu cantar e canta o mundo que viu, foi só o que eu fiz" disse o governador, os olhos marejados. 

Jatene recordou o espetáculo  ‘Happening’ - o primeiro do grupo Experiência, dirigido pelo ator e Geraldo Salles - que estreou em 1971, foi uma mobilização intensa e lotou o Theatro da Paz, talvez a primeira vez em que um grupo alternativo enchia o lugar. 

No "Happening", contou, aconteceu a incrível história do único compositor que teve uma música censurada, mesmo sem letra. Jatene compôs a tal música, que era para o encerramento do espetáculo. Começou que, no enredo, havia o nascimento, o mundo, e a volta para o ventre da mãe, porque ninguém gostava do que via. A ideia era que todo mundo ficasse nu (remetia a "Hair"), mas a Polícia Federal não permitiu, claro, então fizeram com que vestissem malha. Na cena de volta ao ventre houve um solo de guitarra de Bob Freitas, "uma coisa muito doída", segundo Jatene. 

Na época, todos os espetáculos tinham uma pré-estreia para a censura. E quando o censor ouviu a música de Jatene sentenciou: "aquela música, essa música não serve para o final". Aí foi uma confusão danada. Tinham ficado um tempão bolando, argumentaram que não tinha letra. "Mas no fundo ela diz algumas coisas que não devia dizer", rebatiam os censores. Afinal, a Lei de Segurança Nacional falava de "estados mentais". Não houve jeito, enfim, cortaram. Mas eram tão brilhantes, recorda Jatene, que deixaram "Para Lennon e McCartney", a música de Mílton Nascimento que diz (e cantarolou): "Porque vocês não sabem do lixo ocidental?/ Não precisam mais temer/ Não precisam da solidão/ Todo dia é dia de viver/ Por que você não verá meu lado ocidental? Não precisa medo não/ Não precisa da timidez/ Todo dia é dia de viver/Eu sou da América do Sul/ Eu sei, vocês não vão saber/Mas agora sou cowboy/Sou do ouro, eu sou vocês/ Sou do mundo, sou Minas Gerais."

Jatene fez outro relato engraçado: dizendo-se "um canastrão no teatro", foi representar o Pará no Festival Latino-Americano de Teatro Universitário, na Colômbia, o Brasil com 2 peças, uma delas "A Pena e a Lei, de Ariano Suassuna, para a qual compôs a trilha musical e, como era diretor dela, tinha que assistir a todos os ensaios. Só que, cerca de dez dias antes, um dos atores teve um problema e não podia mais viajar. O processo para liberar a viagem era longo e penoso, então não havia alternativa. Teve que tirar a barba, cortar o cabelo (na época era cabeludo e barbudo, mostrou a foto para comprovar), e assumir o papel. Foi uma coisa dramática, diz. A inserção era muito pequena. O papel era de um matuto que entrava puxando um carneirinho e o Cláudio Barradas era o policial que vinha e batia nele. Só que Jatene errava muito a cena e tinha que repetir várias vezes e por isso acabou apanhando um bocado de Barradas. 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Mimo útil

Agradeço as agendas da Griffo Comunicação, são bonitas, do tamanho ideal e muito úteis. Para quem já se arrumou toda e foi a um casamento na véspera do evento, é item indispensável. 

Reconhecimento internacional a parauara

O Desembargador Vicente Malheiros da Fonseca, decano do TRT8, foi contemplado com a outorga do título de Cônsul, concedido pela Associação Brasileira das Forças Internacionais de Paz da ONU, que será entregue em solenidade na Assembleia Legislativa do Estado do São Paulo, no próximo dia 26 de fevereiro, por indicação do Conselheiro Comendador José Carlos Colomo do Couto.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Praça do Horto com programa diário



Fotos: João Gomes
A Praça Mílton Trindade, que todo mundo conhece como Horto Municipal, na Rua dos Mundurucus, bairro Batista Campos, em Belém, foi reinaugurada hoje pelo prefeito Zenaldo Coutinho, depois de reforma que incluiu pintura e limpeza do lago, recuperação dos quiosques, bancos, brinquedos e do chalé. O piso da praça, em pedra portuguesa, foi totalmente reconstituído e o paisagismo revitalizado. No local foram plantadas 1.500 mini ixoras, 900 mudas de grama amendoim e 50 liríopes, além de uma palmeira laca. 

Criada no século XVII, com mangueiras e plantas exóticas, a praça terá agora  programação diária, elaborada pela equipe de educação ambiental da Semma. Entre as atividades, oficinas de expressão corporal e papel, e  jardinagem infantil. As crianças podem participar, ainda, dos Eco jogos e assistir à apresentação de vídeos educativos voltados para o meio ambiente. As escolas devem agendar as visitas. 

CPI divulga relatório na sexta

A versão preliminar do relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga a existência de grupos de extermínio e de milícias no Pará será apresentada nesta sexta-feira, 23, e o relatório definitivo no próximo dia 30, último dia útil da atual Legislatura da Assembleia Legislativa do Estado. Hoje, a CPI realizou um seminário aberto ao público, que teve a participação de representantes de movimentos sociais, na Sala dos Ex-Presidentes da Alepa. O evento foi aberto pelo juiz de Execuções Penais, Cláudio Rendeiro, criador do personagem Epaminondas Gustavo. A ideia foi apresentar o referencial teórico normativo da CPI e trechos de análises feitas sobre o programa de proteção a vítimas, testemunhas e defensores e também o papel da mídia no tratamento das notícias de temática da segurança pública.

Comissão da Verdade do Pará faz oitiva

Amanhã, às 15h, a Comissão Estadual da Verdade fará oitiva na sala VIP da Assembleia Legislativa. O publicitário Pedro Galvão e o escritor Alfredo Oliveira prestarão depoimentos acerca do que vivenciaram nos anos de chumbo. Na sexta-feira, às 9h, a comissão tem audiência com o governador Simão Jatene, a fim de apresentar o andamento dos trabalhos e definir questões administrativas. Integram a Comissão Estadual da Verdade do Pará Egydio Salles(OAB-PA), presidente; João Lúcio Mazzini da Costa(Arquivo Público), Marco Apollo Leão(SDDH), Paulo Fonteles Filho (Comitê Paraense pela Verdade, Memória e Justiça), Renato Marques Neto(Sejudh), Ana Michelle Gonçalves Zagalo(Segup), deputado Carlos Bordalo (Alepa), Franssinete Florenzano (Sinjor-PA) e Jureuda Duarte Guerra (Conselho Regional de Psicologia-PA/AP).

Chapa única se consolida na Alepa

 Márcio Miranda e a bancada do PMDB
 Márcio com Jaques Neves, do PSC
Márcio e Renato Ogawa
A futura maior bancada na Assembleia Legislativa, do PMDB, formalizou seu apoio à reeleição do presidente da Casa, deputado Márcio Miranda (DEM), para o biênio 2015/16, e com isso garantiu a participação do partido na Mesa Diretora(o nome será informado amanhã) e a presidência de pelo menos uma comissão permanente, além de vagas de titulares. Participaram da reunião de anúncio os deputados eleitos Francisco Melo (Chicão), Iran Lima, José Scaff, Eraldo Pimenta, Ozório Juvenil e João Chamon Neto. Wanderlan Gonçalves e Martinho Carmona não foram, mas endossam a decisão.

A eleição será no próximo dia 01 de fevereiro, quando da instalação do novo período legislativo. Márcio Miranda é o único candidato, e já tem o apoio da bancada governista (PSDB, PSD, PTB, PEN, PSB, PRB, PP e SDD) além do PT, do DEM, que é o seu partido, e das novas siglas que ganharão assento na Alepa a partir da próxima Legislatura, como o PSC de Jaques Neves, médico cardiologista, de Curuçá, e Olival Marques, filho do pastor Gilberto Marques, da Assembleia de Deus. O deputado eleito Renato Ogawa, atual vice-prefeito de Barcarena e deputado eleito pelo PR, também manifestou apoio oficialmente, junto com o deputado Júnior Hage. 

Equilíbrio e serenidade, além do tratamento igualitário e as conquistas que fortaleceram o Poder Legislativo durante a gestão de Márcio Miranda, foram destacadas pelos peemedebistas para justificar a decisão. Iran Lima, ex-prefeito do Moju e que deverá ser o líder da bancada, o considera "o elo" para o debate democrático com o Executivo. Para Chicão, cotado para a vaga na Mesa,  “o deputado Márcio foi capaz, independente de qualquer coisa, de manter o diálogo e acreditamos que nesta nova Legislatura isso continue”.

“É de minha intenção convergir para a construção de uma chapa única que represente os 41 parlamentares, e trabalhar ainda para contemplar a todos, incluindo as bancadas menores”, acentua Márcio Miranda. Outras legendas ficaram de aderir oficialmente à sua candidatura, ainda durante esta semana.

Igarapé-Miri em estado de emergência

Desde o último dia 6 está em vigor o estado de emergência em Igarapé-Miri, por 90 dias, decretado pelo atual gestor, vereador Ronélio Antonio Rodrigues Quaresma, presidente licenciado da Câmara Municipal, que responde pelo município diante do afastamento e prisão temporária do prefeito Ailson Santa Maria do Amaral, o Pé de Boto, pela Operação Falso Patuá, do MPE-PA, que culminou com a cassação do alcaide e seu vice, Edir Pinheiro Correa, em processo eleitoral, sendo que, só no ano passado, o Legislativo municipal teve dois presidentes, tal a instabilidade política e administrativa.

A medida foi justificada pela necessidade de enfrentamento a várias questões urgentes. Para se ter uma ideia do caos, o prefeito em exercício não consegue sequer localizar os contratos em vigor, a fim de não serem interrompidos pelo menos serviços essenciais como limpeza pública, o funcionamento do hospital municipal e unidades de saúde (que estão sem medicamentos e material de higienização), o calendário escolar e programas sociais. Também não sabe qual a capacidade financeira do município para arcar com despesas de pessoal, fornecedores e prestadores de serviço. Vários documentos administrativos e contábeis foram recolhidos para análise da polícia, do MP e do Tribunal de Contas dos Municípios e até agora não devolvidos. 

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

O pacote de Dilma

A presidente Dilma Rousseff vetou o reajuste de 6,5% da tabela do Imposto de Renda para Pessoa Física que tinha sido aprovado no Congresso Nacional, a fim de garantir a correção do IRPF pela inflação. Com o pacote de medidas que começou com o anúncio de aumento de impostos, é melhor todo mundo se preparar para o arrocho que vem aí. Já, já vai aumentar o preço de combustível, cosméticos, produtos importados e os juros das operações de créditos.

257 anos de Soure

Vaqueiro e búfalo na fazenda Sanharão. Foto: Luiz Braga
"Pérola do Marajó" ou a "Capital do Marajó", título disputado com a vizinha Salvaterra, Soure é o maior município do arquipélago marajoara, na costa oriental da ilha, onde estão as mais belas praias de toda a região, e completa hoje 257 anos. Surgiu a partir das aldeias dos índios Maruanazes e Mundis, dos Aruãs. Já foi Monte-Forte, depois Menino-Deus e, por causa da grande quantidade de jacarés sauriuns encontrados na região, os portugueses oriundos de uma antiga vila do Distrito de Coimbra que era chamada, no tempo dos romanos, Saurim, por causa da presença de sáurios ou jacarés, resolveram rebatizá-lo de Soure. Também banhada pelo rio Paracauari, Soure tem como principais atrativos as praias de Pesqueiro e Araruna e as tradicionais fazendas de búfalo da região. 

Em 1757, Soure foi elevada à categoria de Vila pelo seu fundador, Francisco Xavier de Mendonça Furtado (irmão do Marquês de Pombal), na época 19º governador e capitão general do Estado do Maranhão e Grão Pará. Soure fazia parte então da Comarca de Monsarás. Só em 2 de setembro de 1858 o Conselho da Província do Pará determinou que a Câmara de Monsarás marcasse as eleições para a nova Câmara de Soure. A apuração da votação dos vereadores foi em 7 de janeiro de 1859 e no dia 20 do mesmo mês foi feita a instalação definitiva do município de Soure.

Além de igrejas, coretos, praças e casas antigas e belas praias, Soure chama a atenção por suas ruas largas e sombreadas por mangueiras, denominadas por números. Como em Nova York, a cidade também tem uma Quinta Avenida. O búfalo é o maior símbolo local, 
é comum vê-los pelas ruas, utilizados como meio de transporte, ou pastando tranquilamente. Não à toa, é a "Capital do Búfalo". A Expo-búfalo acontece há 42 anos.  

O queijo marajoara, do leite de búfala, é um dos produtos mais apreciados da região. Coco, bacuri, murici, abricó, sapotilha e cajarana, entre outras, são as frutas do lugar. A pesca e o extrativismo de caranguejo também são importantes para a economia do município.

Em divisões territoriais datadas de 31-12-1936 e 31-12-1937, o município aparece constituído por quatro distritos: Soure, Condeixa, Joanes e Salvaterra. A lei estadual nº 2460, de 29-12-1961, desmembrou Salvaterra, Condeixa e Joanes, para formar o novo município de Salvaterra. Foi então criado o distrito de Pesqueiro e anexado a Soure. Assim permaneceu até 18-08-1988.

O crackeiro peconheiro

O dramaturgo, escritor e jornalista Edyr Augusto Proença viveu uma situação bizarra anteontem. Viu um dos viciados em crack que infestam a rua Riachuelo, em Belém,  subir no poste que nem caboclo na peconha para tirar açaí, desligar as câmeras de vigilância do Ciop (Centro Integrado de Operações) e colocar uma tábua para o teto do Cuíra, o seu teatro. Ligou 190 e em três minutos, se tanto, chegou uma viatura da polícia. O crackeiro teve que subir novamente e tirar a tábua. É capaz de render um conto delicioso do Edyr Augusto.

Aliás, os títulos "Belém" e "Moscow", os dois primeiros livros de Edyr Augusto traduzidos e lançados na França, agora também ganharão versão "de bolso". "Nid de Vipères" será lançado em 5 de março. No Brasil, "Pssica Pssica" está previsto para junho, pela editora Boitempo. 

Literatura cabocla

Todo domingo a Associação dos Escritores Paraenses monta estande na Praça da República, em Belém, na rua Oswaldo Cruz, ao lado do Japonês das plantas e da Edna Matinta Marajoara. Vão ver o peso da literatura parauara, cabana e cabocla. Logo, logo vão começar as inscrições para todos escritores interessados em participar da XIX Feira Pan-Amazônica do Livro 2015, que este ano serão através do site www.escritoresparaenses.com.br.

A memória de Belém no lixo



O advogado Sebastião Piani Godinho fez estas fotos há coisa de duas semanas, mostrando o estado deplorável do casarão localizado na Trav. Presidente Pernambuco, esquina com a rua Veiga Cabral, no bairro da Campina, em Belém do Pará. Edificação de inegável valor histórico, arquitetônico e paisagístico que reclama preservação e cuidados, o imóvel foi alienado para alguém que, pelo desprezo com que o trata, não tem compromisso com a memória parauara. Assim, a quase quatrocentona Belém vai perdendo as suas referências mais preciosas.

Conhecido popularmente por "Casarão da Praça Ferro de Engomar", em 2011 o imóvel  foi comprado pelo presidente do Grupo Ponte e Simão e Cia. Ltda. (Grupo Esplanada), Francisco Wellington Pontes de Souza. O palacete leva o nome Victor Maria da Silva, engenheiro que foi o primeiro diretor do Theatro da Paz, secretário de Obras no governo de Augusto Montenegro e participou de importantes obras em Belém, no final do século XIX e início do século XX, como a reforma do Palácio Lauro Sodré, atual sede do Museu Histórico do Estado do Pará, e de reforma da mais importante casa de espetáculos da capital paraense, o Theatro do Paz.


Iphan, Secult, Fumbel, MP, socorro!

Iconografia arqueológica Tapajoara


Abre hoje, às 19h, no Sesc Santarém, a exposição “Design de superfície na Amazônia: referências visuais da iconografia arqueológica do Oeste do Pará no desenvolvimento de estampas têxteis”, da designer Luciana Leal, servidora da Universidade Federal do Oeste do Pará, que se inspirou em parte da iconografia tapajônica para a criação de 20 estampas para tecidos, dando novos significados à herança dos Tapajós. O projeto, do Instituto de Artes do Pará, já foi exibido em Belém, em dezembro de 2014, no IAP. O músico Fábio Cavalcante, também servidor da UFOPA, criou um arranjo especialmente para um desfile de moda com os tecidos de Luciana. As estampas ficarão disponíveis para download em sítios especializados. Por enquanto, é possível conferir o catálogo com os resultados do projeto aqui.

Há cerca de mil anos, os Tapajós habitavam a região Oeste do Pará. A etnia indígena foi extinta, mas fragmentos da sua cultura sobrevivem até hoje.  É provável que pertencessem ao tronco linguístico caribe, que se estendia da América Central à margem norte do rio Amazonas. Segundo o professor do curso de Arqueologia Claide Morais, o período áureo desse povo remonta ao ano 1000, quando a organização política e a estrutura urbana eram muito mais complexas do que a encontrada na época da colonização. 

Santarém está destruindo os sítios arqueológicos sem qualquer controle dos órgãos responsáveis pela preservação da memória. A UFOPA realiza o salvamento em parte de um deles, o Porto, na área que pertence à instituição, no projeto coordenado por Claide Morais. 

Para produzir as estampas, a designer se inspirou no acervo do Laboratório Curt Nimuendajú, da UFOPA, que reúne, além das cerâmicas tapajônicas, centenas de objetos arqueológicos das mais diversas origens, como restos de fauna, carvões de fogueiras, sementes carbonizadas de outros povos mais antigos ou contemporâneos da Amazônia, sobretudo do Pará, Amazonas e Roraima. “Grande parte da coleção tapajônica vem de achados fortuitos, que são de pessoas que não estão trabalhando com material arqueológico, sabem de sua importância e o trazem para o acervo”, revela Claide. 

O primeiro contato de Luciana com o acervo foi em 2011, quando produziu um catálogo de formas e ornamentos dos artefatos arqueológicos. O material serviu de base para a criação da mostra permanente “Azulejos dos Tapajós”, no próprio Laboratório, e a coleção “Tapajós” da sua marca de bolsas, “Matinta Criada”. Para este trabalho mais recente, ela fotografou cerca de 300 peças. Dentre as figuras que chamam atenção, o urubu está presente em quatro de suas criações. Ela explica: “Os urubus eram considerados pelos índios como o animal que leva a alma dos mortos para o céu”. Tem também tartaruga, cotia, morcego, cachorro-do-mato e coruja, além de formas humanas. Outro ponto curioso são os vários sentidos que podem ser atribuídos a uma única peça: De cada ângulo que se olha, é possível visualizar uma coisa diferente. 

A mostra vai até este sábado, 24, no Sesc Santarém (Rua Floriano Peixoto, 535 – Centro).

Crianças em situação de risco

As crianças C.C.T.P., de 8 anos, e A.V.T.P., 10 anos, vivem sozinhas em casa, poucas vezes vão à escola e são violentamente espancadas porque comem biscoitos ou tomam iogurte. De acordo com a avó, que denunciou o caso, a mãe delas vai para rua e esquece de voltar, passa da hora das refeições e por isso o menino e a menina, com fome, comem o que encontram na geladeira, o que deixa a mãe possessa. A avó diz que o pai paga pensão para ambos e já está cansada de denunciar o crime ao conselho tutelar mas ninguém faz algo, então resolveu postar no Facebook um pedido de socorro com fotos das crianças espancadas, os rostos inchados e feridos, costas e braços muito machucados por surras. 

Vi o post e, para proteger as crianças, não compartilhei a postagem, mas encaminhei de pronto a denúncia à delegada de polícia Beatriz Silveira, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes Tecnológicos, que imediatamente repassou o caso à delegada Simone Edoron, diretora de Atendimento aos Vulneráveis da Polícia Civil do Pará e, juntas, descobriram que o endereço das crianças é em Manaus(AM), e já entraram em contato com a polícia de lá, pedindo providências, que ficaram de me informar. 

Quem souber de situações de abuso contra crianças - ou qualquer outra pessoa, adulta, idosa, com deficiência física ou mental - deve imediatamente denunciar o fato. O silêncio também é crime, de conivência. Se a sociedade não fechar os olhos, é possível melhorar o mundo. 

É preciso romper com o pacto de silêncio que encobre as situações de abuso e exploração contra crianças e adolescentes. Não se pode ter medo de denunciar, é a única forma de ajudar esses meninos e meninas. 

Saiba a quem recorrer: Conselhos Tutelares, Varas da Infância e da Juventude Delegacias de Proteção à Criança e ao Adolescente, Delegacias da Mulher. Por meio do Disque 100, o usuário pode denunciar violências contra crianças e adolescentes, colher informações acerca do paradeiro de desaparecidos, tráfico de pessoas – independentemente da idade da vítima – e obter informações sobre os Conselhos Tutelares. O serviço, da Presidência da República, funciona diariamente de 8h às 22h, inclusive nos finais de semana e feriados. As denúncias recebidas são analisadas e encaminhadas aos órgãos de defesa e responsabilização, conforme a competência, num prazo de 24h. A identidade do denunciante é mantida em absoluto sigilo. Pelo número de telefone 181, o cidadão paraense pode fazer denúncias em todo o Estado e fornecer informações sobre crimes e diversas outras formas de violência, com a garantia do sigilo dos dados registrados e o anonimato do denunciante.  A ligação é gratuita e o atendimento é realizado 24 horas por dia, sete dias por semana.

ATUALIZAÇÃO: O coordenador geral dos Conselhos Tutelares de Manaus, Antonio Rozinaldo, já informou as providências tomadas. Os conselheiros tutelares Damião e Juvêncio estiveram no local, encontraram as crianças sozinhas, localizaram a mãe no trabalho e a chamaram com urgência. Durante o atendimento, a equipe do delegado Rafael, da delegacia especializada no atendimento da Criança e do Adolescente, chegou ao local e os pais foram notificados para a aplicação de medidas de proteção. A informação chegou a mim pela delegada Beatriz Silveira. 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Música erudita parauara no Rio

Composições dos maestros parauaras Waldemar Henrique e Wilson Fonseca (maestro Isoca) serão apreciadas pelo público do Rio de Janeiro, em junho deste ano, em recitais de Gabriella Florenzano, na programação do projeto Música no Museu, dirigido por Sérgio Costa e Silva. O Repórter-70 de hoje, no jornal O Liberal, destaca o fato.

Operação Alforria





Fotos: Ascom MPE-PA
A “Operação Alforria”, desencadeada hoje cedo pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado do Pará, realizou busca e apreensão no município de Nova Timboteua, afastou o prefeito Luiz Carlos Castro e vice-prefeito Adeilsom Raimundo Pessoa da Silva de Nova Timboteua, que assumiu o cargo, tem prazo de 72 horas para pagar os salários atrasados dos servidores. 

Os promotores de Justiça Harisson Bezerra, Sabrina Daibes, Francisco Lauzid e o procurador de Justiça e coordenador do Núcleo de Combate à Corrupção e à Improbidade, Nelson Pereira Medrado, com o apoio do Gaeco, apuram o porquê de o prefeito Luiz Carlos Castro, mesmo com o recebimento de todos os repasses constitucionais e legais, não pagar os servidores da prefeitura, além da nomeação irregular de Diego Bittencourt ao cargo de coordenador da Unidade de Comando Interno de Nova Timboteua, sem prévia aprovação em concurso público, acumulando cargo em comissão de assessor de contabilidade, além de ser dono de um escritório de contabilidade, a D.S.B Serviços Contábeis, onde preparava a folha de pagamento do município, trabalho que deveria ser feito dentro da Secretaria Municipal de Administração, pelo setor de Recursos Humanos. 

Durante o cumprimento da ordem judicial, quando o oficial de justiça entrou na prefeitura, o servidor Sidney Pereira Oliveira - pregoeiro do município e que tem endereço similar ao da empresa W.S., vencedora da licitação de lixo – de acordo com testemunha ocular ouvida em inquérito civil, teria retirado provas do local e levado para o escritório de Diego Bittencourt.  O MP diz que a W.S. não tem a prestação de serviços de limpeza e arrecadação de lixo como seus objetivos, não funciona no local registrado como endereço, que fica no município de Peixe Boi, além do que o empenho de pagamento foi emitido antes mesmo de os serviços começarem. Um dos caminhões alugados para a prestação dos serviços da empresa estava no nome de Jorge Bittencourt. No primeiro contrato, foram gastos R$600 mil e um termo aditivo de mais de R$900 mil, valores que já foram pagos. Ou seja, foi feita renovação de contrato sem licitação com direito a um pagamento maior que o primeiro.