terça-feira, 30 de setembro de 2014

Hemopa entre os melhores do mundo

A Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular e a American Association of Blood Banks (Associação Americana de Bancos de Sangue) desenvolveram um programa estratégico na hemorrede brasileira para qualificar os serviços de hemoterapia em nível internacional, através da obtenção da Acreditação da ABHH/AABB. A Coordenação Geral do Sangue e Hemoderivados indicou cinco hemocentros do Brasil para receber visita técnica para diagnóstico de Acreditação. Um deles é o do Pará, o Hemopa, que integra o seleto grupo também composto pela Fundação Pró Sangue, Hemocentro de Minas Gerais (Hemoninas), Hemocentro de Campinas e Hemocentro de Santa Catarina (Hemosc). Até novembro, a Fundação Hemopa receberá a certificação de que os seus serviços de hemoterapia estão entre os melhores do Brasil e do mundo. Uma conquista que merece ser festejada e atribuída ao esforço da equipe que faz de lá um centro de excelência.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Amazônia Jazz Band faz show nesta sexta


Não percam o concerto da sensacional Amazônia Jazz Band, regida pelo maestro Nelson Neves, no Theatro da Paz, nesta sexta feira, dia 3, às 20h, tendo como convidada a cantora Jane Duboc. A entrada é gratuita e os ingressos serão distribuídos na bilheteria do teatro a partir das 9h, no dia do evento.

Greve dos bancários em todo o Brasil


Quem tiver pendências que só possam ser resolvidas em agências, corra. Em assembleia geral, os bancários de todo o País decidiram entrar em greve a partir de amanhã, por tempo indeterminado. Os idosos e pessoas portadoras de deficiências são os mais penalizados, sempre. É preciso que os bancos entrem logo em acordo a fim de evitar sofrimento desnecessário dos usuários, principalmente os mais humildes, que na maioria das vezes não dispõe de internet banking.

Adesões na luta contra trabalho infantil




 Juiz Cláudio Rendeiro, o Epaminondas
Juízes Erika Bechara, Vanilza Malcher e Fernando Lobato, no Mangueirão


Durante a manhã inteira do domingo, em uma barraca montada ao lado do Teatro Waldemar Henrique, na Praça da República, voluntários da campanha "Cartão Vermelho ao Trabalho Infantil", liderados pelas juízas do Trabalho Zuíla Dutra e Vanilza Malcher, gestoras regionais, e Claudine Rodrigues, presidente da Associação dos Magistrados Trabalhistas, esclareceram ontem às centenas de pessoas que transitavam no local sobre os males do trabalho infantil e a necessidade de a criança viver a sua infância tendo o estudo e a brincadeira como atividades prioritárias. Na ocasião, foram distribuídas mil cartilhas ilustradas com histórias em quadrinhos da Turma da Mônica sobre o trabalho infantil, dois mil panfletos contendo dez razões pelas quais a criança não deve trabalhar, quatro mil cartões vermelhos contra o trabalho infantil e mil cata-ventos (símbolo da campanha) feitos em miriti por um artesão de Abaetetuba(PA). Em todas as abordagens, houve a preocupação de orientar quanto aos direitos das crianças e adolescentes e deveres da família e do Estado brasileiro, com a sugestão de que o tema seja multiplicado junto a parentes, vizinhos e amigos.

O movimento de crianças e adultos na barraca montada pelo grupo de magistrados do Tribunal Regional do Trabalho da Oitava Região foi intenso, com direito a performance do juiz de Direito Cláudio Rendeiro, da Vara da Execução Penal da Capital, interpretando seu personagem Epaminondas, que também é voluntário da campanha, uma iniciativa do Conselho Superior da Justiça do Trabalho e Tribunal Superior do Trabalho que já conta com o apoio de 14 entidades do Pará (TRT8, TJE-PA, Amatra8, Ejud8, Clube do Remo, Paysandu Esporte Club, Federação Paraense de Futebol, Ministério Público do Trabalho, MPE-PA, Ministério do Trabalho e Emprego-SRTE/PA, OAB-PA, Associação dos Advogados Trabalhistas do Estado do Pará, Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho, Governo do Estado (via Segup), e mais dez em processo de oficialização, entre os quais Fecomércio, Fiepa, Unicef, Associação Comercial do Pará, empresa Vitrine S.A. e Faepa. O Desembargador do Trabalho Vicente Malheiros da Fonseca, atual presidente do TRT8, também um voluntário entusiasmado da causa, fez questão de participar da mobilização na praça, assim como sua esposa, Neide Sirotheau da Fonseca, servidora concursada do tribunal.

Para a juíza Zuíla Dutra, membro da Comissão Nacional de Combate ao Trabalho Infantil e gestora regional da campanha, foi uma experiência indescritível.  Conversando com uma mãe e suas crianças, uma delas na faixa etária de 10 a 12 anos, a menina contou que sua mãe queria que ela saísse da escola para vender "coxinha"  (de frango)  e que inclusive já tinha sido obrigada muitas vezes a faltar às aulas para cumprir tal obrigação. Dura realidade imposta pelas enormes dificuldades financeiras enfrentadas pela famílias de baixa renda. Entretanto, a magistrada ponderou à mãe que estava condenando a sua filha a um destino cruel, impossibilitando que almejasse galgar outro patamar na vida e conquistar sucesso profissional através dos estudos.

À tarde, a mobilização prosseguiu às 16h, quando o Clube do Remo entrou em campo, no Mangueirão, com a faixa alusiva à campanha.

No próximo dia 10, às 13h, no auditório do TRT8, novo Termo de Compromisso formalizará a adesão de mais parceiros da campanha. Para a cerimônia,  virá o ministro do TST Lélio Bentes, coordenador nacional da campanha. Também já está agendada a interiorização, com mobilizações marcadas para os dias 16 e 17 de outubro, em Santarém, e 10 e 11 de novembro em Parauapebas. 

domingo, 28 de setembro de 2014

Emoção no final do Festival de Ópera






Fotos: Sidney Oliveira
A Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, sob a regência do maestro Miguel Campos Neto, deu logo o tom da noite, no concerto de encerramento do XIII Festival de Ópera do Theatro da Paz, ontem, ao começar o espetáculo executando com maestria a abertura da opereta  “Die Fledermaus” (O Morcego), de Johann Strauss II, considerada a obra-prima do compositor austríaco. A sequência de apresentação dos solistas fez do público que prestigiou o evento testemunha do nível técnico e da musicalidade que permeia a atividade desses jovens artistas da música de câmara e do canto lírico. Antes do concerto, todos os cantores foram acomodados em cadeiras do lado de fora do teatro, onde podiam ser vistos pelo público, e de onde levantavam para entrar no palco, o que agradou a plateia, criando uma certa intimidade e aumentando ainda mais o clima descontraído do evento ao ar livre. 


O barítono carioca Rodrigo Esteves - que brilhou como o antagonista Iago, em Otello, na montagem da semana passada -, sem dúvida merece destaque especial, pela sua grande expressividade, dicção irrepreensível e pleno domínio do palco. Brincou com o público, fazendo com que participasse marcando o ritmo com palmas, mostrou sintonia perfeita com o maestro Miguel Campos Neto e a OSTP e, ao final, arrebatou calorosos aplausos. Bravíssimo! Rodrigo tem uma interessante carreira internacional e uma ligação intensa com o Pará, apesar de morar na Espanha e ser carioca. Como seu pai é militar, quando criança morou durante quatro anos em Belém, e até hoje cultiva relações com paraenses, principalmente os ligados à música. Não à toa, já cantou em cinco temporadas do festival. No início foi roqueiro, tocava violão, bateria, flauta e gaita, e até montou sua banda, a Azul Limão, no Rio de Janeiro, na esteira do movimento pioneiro da banda parauara Stress, liderada pelo vocalista e baixista Roosevelt Bala, que foi não só a primeira banda de heavy metal do Brasil mas também a primeira banda de trash metal, antecedendo ícones como Metallica e Slaver, vale registrar. Rodrigo interpretou ontem à noite "Largo al factótum", da ópera "O Barbeiro de Sevilha", de Giácomo Rossini, ária divertida e que remete ao personagem Fígaro, presente também na ópera "As Bodas de Fígaro", de Mozart, e que é originário da "Trilogia de Fígaro", do dramaturgo francês Pierre Augustin Caron de Beaumarchais. Mozart se baseou na segunda peça da trilogia, chamada "La Folle Journé" ou "Le Marriage de Fígaro". Já Rossini, trinta anos depois, se inspirou na primeira peça da trilogia, "Le Barbier de Séville". O Conde de Almaviva, aliás, é outro personagem que aparece nas duas óperas..

Aplaudida com entusiasmo, a mezzo-soprano Aliane Sousa cantou a ária “Stride la vampa”, da ópera “O Trovador”, de Giusepe Verdi. Dona de uma voz bela, Aliane ganhou os prêmios do Júri Popular e Voz e Revelação no concurso de canto Salvalírico, em Salvador(BA), em 2012, e recebeu uma bolsa para estudar no Instituto Politécnico do Porto, em Portugal, mas não conseguiu se manter na Europa, por falta de patrocínio. É um exemplo gritante das imensas dificuldades dos que se dedicam ao canto lírico.


Gabriella Florenzano interpretou a "Seguidille", ária do papel-título de "Carmen", obra-prima do compositor francês Georges Bizet, e se revelou uma Carmen perfeita, com sua belíssima presença cênica e uma voz ao mesmo tempo poderosa e rica em nuances expressivas, imprescindível para a composição da personagem icônica, multifacetada, delineada por Bizet com extrema força e complexidade. A ópera "Carmen" abriu as portas para um movimento que começou na Itália e se consagrou no mundo inteiro, na última década do século XIX: o verismo, marcado por intrigas violentas e envolvimentos sórdidos, do qual foi precursora a história da sedutora cigana, de temperamento irrefreável, e seu envolvimento passional com o cabo Don José em uma ensolarada Sevilha. Gabriella é paraense de Belém e mora em São Paulo, onde continua seus estudos, em pós-graduação, com o consagrado cantor lírico Eduardo Janho-Abumrad e o pianista correpetidor João Moreira Reis.


O baixo Sávio Sperandio e o tenor Tiago Costa fizeram bonito no Epílogo da ópera “Mefistofele”, do italiano Arrigo Boito, com a participação vibrante do Coro Lírico do Theatro da Paz, regido pelo maestro Vanildo Monteiro. Tiago, que também cantou Scorrendo uniti in remota via”, da ópera "Rigoletto”; com a soprano Juliane Lins, a mezzo-soprano Ana Victoria Pitss, o barítono Idaías Souto Jr. a ária "Bella figlia dell'amore", também de "Rigoletto"; e com Sávio Sperandio, as sopranos Dhulyan Contente e Elizabeth Mello, Idaías Souto Jr. e o tenor Antonio Wilson "Lucia di Lammermoore: chi mi frena in tal momento?", de Gaetano Donizetti, participa do festival pela quarta vez.

Antonio Wilson Azevedo - que fez o Cássio em Otello - interpretou "Ah! Mês amis quel jour de fête!", da ópera "A Filha do Regimento".  As sopranos Ione Carvalho, com "Je Veux Vivre", de Romeu e Julieta", e Gabriella Rossi, com "De España vengo", da ópera "El Niño Judio", assim como a mezzo-soprano Ana Victoria Pitss, com a ária “Mon coeur s’ouvre a ta voix”, da ópera “Sansão e Dalila”, foram muito aplaudidos. 


O grande final emocionou o público. Todos os cantores interpretaram lindamente "Minha Terra", do compositor Waldemar Henrique, e depois, junto com o Coro Lírico do Festival de Ópera do Theatro da Paz, entoaram o Hino do Pará, momento em que a Bandeira do Pará foi desfraldada na fachada do Theatro da Paz e houve chuva de papel brilhante picado. Na noite de verão, refrescada pela tradicional chuva da tarde em Belém, foi um momento que certamente ficará vívido na memória de todos quantos ali estavam.  Iniciativa louvável do secretário de Estado de Cultura, Paulo Chaves, muito bem organizada pelo diretor geral do festival, Gilberto Chaves, pelo diretor artístico Mauro Wrona e toda a equipe. E que venha o XIV Festival de Ópera do Theatro da Paz!

Celpa responde ao ajoelhaço

Recebi, via e-mail, em resposta ao post Ajoelhaço em repúdio à Celpa na Cadedral", a seguinte nota da Celpa:

"A Celpa informa que não vai mais instalar o novo padrão de medidor de energia em áreas tombadas pelo patrimônio histórico de Belém. A decisão já foi informada ao Iphan, Secult e Fumbel. A concessionária informa ainda que está na perspectiva de implantar um novo modelo de medição eletrônica que não comprometa a estrutura ou a beleza do centro histórico."

NOTA DO BLOG: é preciso que a Celpa respeite as linhas arquitetônicas das fachadas e o direito de ir e vir dos cidadãos, além do Código de Posturas do Município, não só no Centro Histórico mas em toda a cidade. A Celpa tem que obedecer ao ordenamento legal pátrio e não desfigurar construções e enfeiar a urbe, muito menos criar obstáculos a pedestres, em especial pessoas com deficiência física e visual, cadeirantes, idosos, crianças e mães com carrinhos de bebê.

sábado, 27 de setembro de 2014

Ajoelhaço em repúdio à Celpa na Cateral


Vejam o que a Celpa está fazendo na Cidade Velha.
A Celpa está instalando, em frente às casas daqueles proprietários que não aceitaram os chamados 'olhões', postes com medidores de energia que, além de horrorosos, impedem o direito constitucional de ir e vir dos pedestres, eis que estão nas calçadas, ferem o Código de Posturas e, o que é pior, são autorizados pelo poder público - no mínimo faz vista grossa-, que tem o dever de impedir tal aberração, ainda mais quando perpetrada em plena Cidade Velha, área tombada como Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico e Cultural de Belém do Pará. Nenhuma cidade e nenhum cidadão merece uma coisa desse tipo.  Indignados com esse descalabro, os cidadãos que amam Belém vão demonstrar seu repúdio à Celpa e exigir providências do poder público, em ato público, amanhã, em frente à igreja da  Sé. Às 10h da manhã, um ajoelhaço na catedral metropolitana de Belém, organizado pela Associação Cidade Velha-Cidade Viva, pedirá à Virgem Maria, mãe de Deus, que ilumine as autoridades a fim de que não sejam omissas diante de tal situação.

Concerto final do Festival de Ópera

Um grande espetáculo ao ar livre encerra o XIII Festival de Ópera do Theatro da Paz, hoje, às 20h, na Praça da República, em Belém, em palco montado em frente ao teatro. O programa começa com o Prólogo da ópera “Mefistofele”, do italiano Arrigo Boito, executado pela Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, regida pelo maestro Miguel Campos Neto. A mezzo-soprano Aliane Sousa canta “Stride la vampa”, da ópera “O Trovador”; o tenor Tiago Costa, “Scorrendo uniti in remota via”, de “Rigoletto”; e a também mezzo-soprano Ana Victoria Pitss, “Mon coeur s’ouvre a ta voix”, da ópera “Sansão e Dalila”. As sopranos Dhulyan Contente e Elizabeth Mello, os tenores Antonio Wilson Azevedo e Tiago Costa, o barítono Idaías Souto Jr. e o baixo Sávio Sperandio interpretarão “Lucia di Lammermoore: Chi mi frena in tal momento?”, de Gaetano Donizetti; a mezzo-soprano Gabriella Florenzano cantará a ária “Seguidille”, da ópera “Carmen”, de Georges Bizet; o barítono Rodrigo Esteves cantará “Largo al factótum”, da ópera “O Barbeiro de Sevilha”; Sávio Sperandio, “Oh, chi piange?”, de “Nabucco”; Antonio Wilson Azevedo, “Ah! Mês amis quel jour de fête!”, da ópera “La Fille du Régiment”; Ione Carvalho cantará “Je Veux Vivre”, de “Romeu e Julieta”; a soprano Gabriella Rossi, “De España vengo”, da ópera “El Niño Judio”; Tiago Costa, a soprano Juliane Lins, Ana Victoria Pitts e Idaías Souto Jr. interpretarão “Bella figlia dell’amore”, de “Rigoletto”; e Sávio Sperandio o Epílogo de “Mefistofele”, sem esquecer o Coro Lírico do Festival de Ópera do Theatro da Paz, regido pelo maestro Vanildo Monteiro. O grand finale eu não vou contar porque é surpresa que não vou estragar. Só posso adiantar que será lindo e emocionante.

Este ano foram três óperas, ballet, recitais, workshops e master classes, além do concerto ao ar livre, na temporada que começou no dia 05 de agosto, com preços populares e programação gratuita.

Cerca de 500 pessoas, direta e indiretamente, estão trabalhando no festival, e mais de 95% são paraenses. Desde o figurino é feito em Belém. Cenografia, mão-de-obra de costureiras, ferreiros, funileiros, pintores, marceneiros, todos os tecidos e os adereços foram comprados no comércio de Belém e os serviços contratados de empresas locais, o que se reflete em muita movimentação indireta na cidade, além do pessoal administrativo. O diretor geral do festival, Gilberto Chaves, enfatiza que o Pará é um celeiro de talentos e destaca o crescimento profissional dos cantores e músicos, a cada ano. “Estes jovens que você está vendo no palco hoje crescem também vendo os espetáculos se aglutinando, é o princípio da vivência, da experiência, da conquista deles fazendo acontecer, não é a teoria que proporciona isso. Eles vêm do coro lírico, do corpo-a-corpo dos artistas Assistem aos ensaios, aprendem com os solistas experientes. Fazemos master classes, que funcionam como studio opera, este ano fizemos cinco master classes, para canto, regência, cenografia, iluminação, figurino, e tudo aqui, ao vivo, o pessoal da luz vendo como a luz se transformava, os regentes nas frisas do teatro vendo o maestro trabalhar, o envolvimento de todos. Se esse festival só existisse por existir, eu já ficaria feliz. A resposta do público, a bilheteria se esgotando em 48h... Mas tudo isso não é o suficiente. O importante é envolver e fazer as pessoas crescerem. O conhecimento não é para se encerrar em si, é para ser repartido, é para se doar, para ser espargido, e isso é o que estamos procurando fazer.”

O maestro Miguel Campos Neto comunga desse entusiasmo. Ele avalia que houve um “crescimento exponencial” da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, desde 2002. E dá seu testemunho: “Se pegar desde 1996, que foi o ano de fundação da orquestra, é irreconhecível. Sei porque eu estava lá. Fiz parte da primeira formação, era violinista, saí para estudar regência e voltei como maestro, é uma coisa cíclica para mim. Acho que para quem acompanha no dia a dia é perceptível, mas quem para quem passa um tempo fora e ouve a orquestra é patente. Prova disso é que, sempre que vinham críticos de fora, eles elogiavam o festival mas diziam que o “senão” era sempre a orquestra, era o calcanhar de Aquiles do festival. Agora não. A partir de “Tosca”, ou desde “Salomé”, há três anos, surpreendemos o Brasil. Já veio o Navio Fantasma, de Wagner, O Trovador, de Verdi, Mefistófele, Otello, a orquestra esteve à altura do desafio, e não foi mais surpresa.”

O ingresso na OSTP é através de audição seletiva, rigorosíssima, como nas grandes orquestras. Para se ter uma ideia, para centrar o naipe dos primeiros violinos é preciso tocar pelo menos um “Capricho” de Paganini, que é sinônimo de virtuosismo no violino. Houve uma época em que a orquestra saía atrás de músicos; agora não, o jogo foi invertido, é uma disputa – saudável -, e com isso o maestro Miguel Campos Neto está conseguindo aumentar cada vez mais o nível da OSTP. Há sempre audições, porque os músicos sempre estão indo para outras orquestras, ou para continuar seus estudos, e a média de idade é muito jovem (só quatro têm mais de 40 anos, a maioria está entre 30 e 20 anos, média etária na casa dos 20 anos), mas de talento extraordinário - chegou até a entrar um músico com 16 anos – “que trazem consigo uma certa irresponsabilidade da juventude, fazem com que a orquestra toque com uma energia enorme e tome chances, e essa garra faz a diferença”, festeja o maestro.

A OSTP vai ganhar mais oito músicos e recebeu reajuste salarial médio de 70%, mesmo assim tem perdido integrantes para orquestras que pagam salários melhores. Apesar de todo o prestígio que a ópera tem no Pará, de ser um produto de primeira linha, não se consegue patrocínio, nem aprovar projeto na Lei Rouanet. É impressionante como a Amazônia, o Pará é considerado território de segunda classe, almoxarifado do Brasil.

Ano a ano há um desenvolvimento do Coro Lírico do Festival de Ópera do Theatro da Paz, que tem a ver com a formação vocal e musical, é um coro que não só canta bem, mas atua bem, é muito bom em cena; afinal, a ópera está intimamente ligada ao canto e ao teatro. Esse amadurecimento e cuidado com a formação completa dos profissionais do coro, resultado do trabalho incansável do regente, maestro Vanildo Monteiro, cujo rigor no controle da qualidade, aliado às oportunidades que o coro tem de se aprimorar com outros maestros e cantores de fora, já revelou muitos talentos. O coro está com 74 integrantes este ano. Normalmente, são 65, e são feitas audições para preencher as vagas, de acordo com a demanda. A maioria dos cantores estuda nos cursos da Escola de Música da UFPA, da UEPA, e da Fundação Carlos Gomes, e outros já são profissionais e alguns até atuam como professores de canto. O maestro Vanildo Monteiro entende que tem funcionado muito bem, desde 2002, quando iniciou o festival, juntar o canto à atuação teatral. “Temos a preocupação de trabalhar a qualidade vocal, musical e também a parte cênica, formando solistas que também são atores e agregam valor às montagens. Vários solistas de destaque saíram do coro, como Atala Ayan, que já tem carreira internacional, Ione Carvalho, Elizabeth Mello, Aliane Sousa, Amanda Rocha, Thaina Souza, Tiago Costa, Gabriella Florenzano. Eu me considero um privilegiado por estar vivenciando tudo isso. Há poucos lugares no Brasil onde faz ópera. E aqui o Dr. Gilberto Chaves coordena este festival que em nada fica a dever aos melhores palcos do mundo.”

Fazer ópera na Amazônia é difícil. Desde a alocação dos recursos necessários à equipe técnica. Talvez em função da cultura de massa e também da falta de acesso do grande público, há quem aponte o gênero, historicamente popular, como elitista. Mas o mais difícil, na opinião do secretário de Estado de Cultura do Pará e idealizador do Festival de Ópera, Paulo Chaves, é vencer o preconceito de que a ópera é uma expressão da elite. “Sobretudo pela falta de parâmetros, a arte e a cultura degeneraram muito por falta de norte à medida em que os antropólogos, com o objetivo sagrado, eu acho, de valorizarem as culturas ditas primitivas, igualaram aquilo que era feito por uma tribo indígena ao que era feito por uma Europa centenária - e eu entendo, porque no sentido antropológico está correto -, mas sentido artístico há que ter parâmetros; afinal, nem tudo é arte, nem tudo é cultura, então ficou uma vala comum, é um equívoco, faz com que muitos ainda pensem que o gênero é elitista. A ópera tem origem popular. O Verdi era popularíssimo na Europa. Era cantado e assoviado nas ruas, em cada novo título que apresentava, era imediatamente abraçado pelo povo. O Pará é um dos Estados mais musicais do Brasil, temos aqui um cadinho de influências que vêm, por exemplo, do Caribe, da nossa longa colonização portuguesa, da influência africana... qual é o Estado brasileiro que tem a quantidade de ritmos, de danças, que tem o Pará? Nenhum, com exceção da Bahia. E na parte erudita temos uma larga tradição, é o único do Brasil, tirando São Paulo, que tem compositor de ópera, que tem uma transição modernista do erudito para o popular, como o grande Waldemar Henrique. Então, eu acho que temos uma riqueza musical extraordinária, agora cada coisa em seu lugar, não dá para estabelecer comparação entre coisas que são diversas - sem criar hierarquia -, a hierarquia é preconceituosa. Por exemplo, esta casa (o Theatro da Paz), foi construída para ser de ópera. Naquela altura, na segunda metade do século XIX, o lugar que não tivesse uma casa de ópera não era chamado civilizado. Havia essa necessidade, que estivesse no mesmo diapasão do desenvolvimento econômico, que coincide com o "boom" da borracha, quando o Theatro da Paz e o Theatro Amazonas foram construídos e, só muito tempo depois, já no século XX, concluíram os Teatros Municipais, no Rio e em São Paulo.”

Paulo Chaves comenta que seu sentimento é de missão cumprida, ao final desta 13ª edição do festival. “Nos anos 50, tivemos uma companhia apresentando três Verdi: O Trovador, Rigoletto e La Traviata. E nos anos 80 teve uma apresentação de O Guarani, de Carlos Gomes, com a orquestra de Campinas; mas perdeu-se, ao longo dos anos, essa tradição operística. Muitas vezes as companhias, não só de ópera, mas também de balé, de teatro, vinham da Europa até Belém e Manaus, e voltavam. Sequer iam ao Rio e São Paulo. Belém foi o grande centro cultural desse período. E acho que, ao retomarmos isso, primeiro com a restauração do teatro, resgatamos um pouco essa importância. Hoje não poderíamos fazer o que estamos fazendo sem essa grande restauração, que recuperou os camarins, que já não existiam no mesmo número, eram utilizados pela administração; o fosso acústico de água, que estava soterrado; o acesso aos palcos, que era escalonado com escadas, foi tampado, porque não era correto; fico muito orgulhoso de ter participado com uma equipe altamente competente, tanto na parte da organização dos festivais, quanto da equipe de arquitetura, dessa conjunção entre restauro e festival, deste momento que ficará marcado na História do Pará, desculpe a imodéstia.”

Para que o programa do festival seja cumprido à risca, tudo é pensado com antecedência de um ano, com a participação fundamental de Mauro Wrona na direção artística, que este ano ainda ministrou oficinas de montagem de ópera, com aulas teóricas e práticas de direção cênica a alunos da Escola de Teatro da UFPA.

O regente mineiro Sílvio Viegas, como convidado, conduziu a OSTP em Otello. O Coro Infanto-Juvenil tem regência da maestrina Elizeth Rêgo. O festival conta com concepção cenográfica de Lília Chaves e Maria Sylvia Nunes, direção cênica de Glaucivan Gurgel, figurinos de Hélio Alvarez e Fábio Namatame, iluminação de Rubens Almeida. A elaboração e operação de legendas é de Gilda Maia. A equipe tem Duda Arruk no cenário, a iluminação é de Wagner Antônio e o visagismo, de André Ramos.

No elenco dos espetáculos, além dos já citados, brilharam os solistas Adriane Queiroz, Atalla Ayan, Marília Caputo (pianista), Rosana Schiavi, Adriana Azulay (pianista ), Maíra Lautert, Walter Fraccaro, Denis Sedov, Fernando Portari, Marly Montoni, Andrew Lima, Andrey Mira, Jefferson Luz, Alexsandro Brito, Jean William, Marly Montoni, David Marcondes, Raimundo Mira, Andrey Mira, David Marcondes, e Daniel Gonçalves (pianista).

O secretário Paulo Chaves fez questão de um adendo: “Quero aproveitar a oportunidade, já que estamos encerrando o ciclo, e sem nenhuma demagogia nem populismo fazer um agradecimento a vocês que fazem a mídia e a opinião pública e são aliados nessa jornada de conquistas que é o nosso Festival de Ópera e acho que posso compartilhar com vocês esse justo orgulho.”

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Comarcas premiadas por realizar Júris

A desembargadora Nazaré Gouveia, gestora da Meta 4 da Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública do CNJ, já está tratando dos preparativos para a Semana Nacional do Tribunal do Júri de abril de 2015. Em reunião do Grupo de Persecução Penal da ENASP, ela recebeu o Selo Bronze, que reconhece o compromisso e esforço de comarcas e varas em dar cumprimento às metas estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça. No Pará, doze unidades judiciárias foram premiadas com o Selo por terem realizado, pelo menos, quatro júris ao longo da Semana Nacional do Júri, em março de 2014: a 1ª e a 3ª Varas do Júri da Capital, 10ª Vara Penal de Santarém, 3ª Vara Penal de Itaituba, 2ª Vara Penal de Redenção e 1ª Vara de Tailândia, além das Comarcas de Rondon do Pará, Afuá, Alenquer, Itupiranga, Óbidos e Oriximiná.

Cães que comem bezerros e viram porcos


Em quase toda cidade amazônica é comum a espécie de lenda urbana dando conta de que alguém vira porco ou coisa parecida. Lembro que em Santarém havia essa história, que tão bem retrata o realismo fantástico. Pois bem. Lendo hoje o site Migalhas, deparei com o informe de um processo que tramita na comarca de Brasília de Minas(MG), onde um advogado mineiro recomendou "prudência, bom zelo e cuidado" ao oficial de justiça encarregado de citar a parte contrária, porque ele é "dono de um livro de São Cipriano" e consegue "se transformar em toco", "ou mesmo se esconder de trás de um cabo de enxada". Quem diz isso, afirma o causídico, é a mãe do autor, que ainda conta que os familiares do réu são donos de "cachorros gigantescos que comem bezerro" e que "se tornam porcos". Uai! Leiam a petição.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Mobilização contra o trabalho infantil


A Constituição Federal proclama: criança não trabalha, tem prioridade de tratamento, cuidado e proteção integral da família, da sociedade e, principalmente, do Estado. Entretanto, cerca de 3,5 milhões de crianças e jovens brasileiros entre cinco e 14 anos trabalham. Uma vergonha. Enquanto o Estado, a sociedade e a família não cumprem o seu dever, o trabalho infantil rouba infâncias, alegrias e as chances de educação de milhares de meninos e meninas. Inviabiliza, na maioria das vezes, a própria cidadania e causa perdas de vidas. 

Neste domingo, dia 28, ao meio-dia, na Praça da República, um ato público liderado pelas juízas do Trabalho Zuíla Lima Dutra, membro da Comissão Nacional de Combate ao Trabalho Infantil e gestora regional, Vanilza Malcher, também gestora regional, e Claudine Rodrigues, presidente da Amatra8, vai esclarecer dúvidas, distribuir cartilhas sobre o tema e panfletos contendo dez razões pelas quais a criança não deve trabalhar, além de cata-ventos às crianças que comparecerem ao evento. O projeto já ganhou a adesão do TJE-PA, Associação dos Magistrados Trabalhistas (Amatra8); Escola Judicial da 8ª Região (Ejud8); Clube do Remo; Paysandu Esporte Club; Federação Paraense de Futebol; Ministério Público do Trabalho; MPE-PA; Ministério do Trabalho e Emprego-SRTE/PA; OAB-PA; Associação dos Advogados Trabalhistas do Estado do Pará (ATEP); Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho; Governo do Estado (via Segup); Fecomércio, Fiepa, Faepa, Associação Comercial do Pará e Vitrine Ltda., e todos estarão presentes à manifestação. O juiz Cláudio Rendeiro vai caracterizado com o seu personagem humorístico Epaminondas Gustavo, que se  apresentará ao público, com mensagens educativas.

Artesãos parauaras expõem peças cirianas

Foto:Eliseu Dias
Imagens em resina com caroços de açaí tingidos, criação da artesã Sílvia Alencar, por apenas R$ 10; adornos, camisas, bolsas, chaveiros e outras peças com a temática da época nazarena, em formatos, matérias-primas e preços diversosMantos bordados e pintados à mão, confeccionados em tecido, com sementes de açaí, contas de pérolas, flores metalizadas e outros materiais, das artesãs Maria das Graças Menezes e Benedita Rodrigues, também podem ser encontrados na Casa do Artesão, do Espaço São José Liberto, em Belém, em diversos tamanhos e preços que vão de R$ 20 a R$ 50. 

Mais de 700 artesãos, que integram o Programa Polo Joalheiro do Pará e criam diferentes peças inspiradas no Círio de Nazaré, este ano superam a si mesmos em modernidade, sofisticação e sustentabilidade. 

Doca Leite, especialista em cerâmica marajoara desde 1978 e que também faz parte do Polo Joalheiro, além dos objetos utilitários e decorativos cria réplicas da imagem de Nossa Senhora de Nazaré com mantos marajoaras, expressão típica da cultura parauara, inspirado nos ribeirinhos que singram os rios e se unem à multidão que enche a capital paraense no Círio de Nazaré. Os preços variam entre R$ 20 e R$ 150, de acordo com os tamanhos. Com a produção de peças exclusivas, Doca ganhou, em 2006, o título de “Artesão n° 1 do Brasil”, concedido pelo Sebrae. Pelo conjunto da obra, em março deste ano, foi um dos oito artesãos homenageados na exposição “Os Mestres da Casa do Artesão”, promovida pelas Secretarias de Estado de Indústria, Comércio e Mineração (Seicom) e de Trabalho, Emprego e Renda (Seter), Federação das Cooperativas de Artesãos do Pará (Facapa) e pelo Instituto de Gemas e Joias da Amazônia (Igama). 

Eliete Ricardo, que também integra o Polo Joalheiro, é autodidata e trabalha há cerca de três anos na confecção de imagens de gesso com mantos. 

Serviço: os produtos artesanais do Círio são encontrados na Casa do Artesão do Espaço São José Liberto (Praça Amazonas, s/nº, bairro do Jurunas). O local funciona de terça-feira a sábado, das 9h às 19h, e aos domingos e feriados das 10h às 18h. No mês de outubro abre às segundas-feiras e, no dia 12 de outubro, domingo do Círio, em horário especial, das 14h às 18h.

Prêmio Hamilton Pinheiro de Jornalismo

 Os vencedores do ano passado com os presidentes do Sinjor-PA e Simineral.
A presidente do Sindicato dos Jornalistas do Pará, Roberta Vilanova, avisa que estão abertas até o dia 31 de outubro as inscrições para o Prêmio Hamilton Pinheiro de Jornalismo, que, em parceria com o Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará, distribuirá R$ 20 mil, sendo R$ 3 mil para cada uma das categorias: Jornalismo Impresso, Radiojornalismo, Telejornalismo, Webjornalismo e Revista Especializada. Outros R$ 5 mil serão destinados ao Grande Prêmio HP de Jornalismo, que contemplará um profissional de destaque na imprensa paraense. Com o tema “Mineração sustentável. Um legado para a nossa gente”, o prêmio prestigia os profissionais parauaras, além de valorizar os trabalhos voltados para as atividades da mineração. 

Em 2013, Heloá Canali venceu em Jornalismo Impresso; Bruno Magno, em Webjornalismo; e Celso Freire, em Radiojornalismo. Os prêmios foram entregues pelo presidente do Simineral, Fernando Gomes Jr., e pela jornalista Sheila Faro, então presidente do Sinjor-PA, em meio à festa de confraternização da categoria.

Podem concorrer ao prêmio matérias publicadas no período de 1º de novembro de 2013 a 31 de outubro deste ano. A cerimônia de premiação será no dia 27 de novembro. A ficha de inscrição e e o regulamento estão disponíveis aqui. Mais informações pelo (9)8814-1257.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

MPE-PA elegeu novo Ouvidor-Geral

O Colégio de Procuradores de Justiça do MPE-PA elegeu hoje a lista - que deveria ser tríplice mas foi dúplice - para escolha do Ouvidor-Geral e 1º e 2º Vice-Ouvidores-Gerais. Só os promotores Aldo de Oliveira Brandão Saife e José Maria Gomes dos Santos (este pleiteando a reeleição) compuseram a lista, encaminhada ao procurador-geral de Justiça, Marcos Antônio Ferreira das Neves, que escolheu o mais votado para assumir o cargo; no caso, o candidato de oposição, que venceu com 13 votos contra 11 votos do atual. Ninguém se candidatou a Vice; então, os procuradores de Justiça, por ordem de antiguidade, foram consultados se tinham interesse em submeter seus nomes, mas de novo não houve quem se inscrevesse, daí foi definido que a consulta será feita aos promotores de justiça de 3ª entrância, conforme a antiguidade. A sessão, presidida pelo PGJ Marcos das Neves, teve a mesa oficial composta pelo corregedor-geral, procurador Adélio Mendes dos Santos, o secretário do Colegiado, procurador Luiz César Tavares Bibas, o Ouvidor-Geral em exercício, promotor Francisco de Assis Santos Lauzid, e o presidente da Associação do Ministério Público do Pará (Ampep), promotor Manoel Victor Sereni Murrieta. A posse está prevista para o dia 3 de dezembro.

Atuando no MPE-PA desde setembro de 1995, o 2ª promotor de Justiça da Infância e Juventude de Ananindeua, Aldo de Oliveira Brandão Saife, quer criar um canal efetivo e permanente entre a sociedade e o MP, através de visitas em escolas e instituições para divulgar o papel do órgão. O novo Ouvidor pretende aumentar a interiorização das atividades da Ouvidoria, promovendo eventos nas regiões administrativas do Estado, e salienta a necessidade de articulação com as Ouvidorias públicas e privadas para que haja qualificação nos serviços prestados. Aldo Saife já atuou como substituto em São Geraldo do Araguaia, Xinguara, Oriximiná, Faro, Terra Santa, Óbidos, Juruti, Monte Alegre e Prainha. Como titular, em Santarém e Maracanã. Ao longo dos 19 anos de MP, o promotor enfatiza sua paixão pelo Tribunal do Júri.

Helder esclarece acidente com aeronave

Recebi via e-mail a seguinte nota:

"A assessoria do candidato ao governo do Estado Helder Barbalho, da coligação "Todos Pelo Pará", informa que o avião que transportava parte da equipe que o acompanhava em agenda de campanha, derrapou, saiu da pista e parou em uma cerca ao pousar no município de Senador José Porfírio. As pessoas a bordo não sofreram ferimentos. A aeronave e o tripulante estavam homologados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e com toda documentação em dia."​

Dica de teatro


Entra em cartaz amanhã e fica até sábado(27), no Sesc Boulevard, sempre às 18h, "Útero - Fragmentos românticos da vida feminina", com direção de Saulo Sisnando. O espetáculo satiriza o cotidiano de jovens mulheres paraenses, sempre preocupadas com os quilinhos a mais, divididas entre trabalho e a família, com corações partidos, mas muito bem maquiadas e com os cabelos lisos à base de escovas e texturizações. Mulheres, gays, pais ciumentos, filhas rebeldes, românticas alucinadas, peruas tresloucadas, namorados pilantras compõem a peça, que dura 70 minutos. A classificação é para maiores de 16 anos e a entrada é gratuita.

Avião de Helder fez pouso forçado

Foto: site Altamira Hoje
O candidato do PMDB ao governo do Pará, Helder Barbalho, escapou da urucubaca ontem, quando o avião bimotor modelo Baron, prefixo PT – JTN, que o transportava em viagem de campanha a seis municípios na região da Transamazônica e Xingu, fez um pouso de emergência em uma fazenda da família Rezende e só parou quando colidiu com uma cerca de arame. Helder e Paulo Rocha(PT) não estavam a bordo, tinham desembarcado em Senador José Porfírio, e seguido para o centro da cidade, onde seria realizado um comício, e a aeronave levantara voo para Altamira levando outros candidatos; mas, quando soube do acidente, Helder cancelou o comício e seguiu para Vitória do Xingu em uma lancha, e de lá para Altamira, onde fez comício e embarcou em outra aeronave. Ninguém se feriu e o piloto teria feito a manobra quando percebeu problemas técnicos. A aeronave continua na fazenda em Souzel, e o Seripa – Serviço de Investigação e Prevenção de Acidentes Aéreos deverá investigar as causas do acidente. A foto é do site Altamira Hoje.

Caso Duciomar: relator se declara suspeito

Em despacho publicado hoje no Diário de Justiça Eletrônico do TRE-PA, o juiz João Batista Vieira dos Anjos, relator do processo nº 1047-25.2014.6.14.0000, de registro de candidatura do ex-prefeito de Belém, Duciomar Costa(PTB), impugnado pelo procurador regional eleitoral Alan Mansur e pelo PV, se declarou suspeito para julgar o feito. Com isso, novo relator foi designado agora à tarde. É o juiz Mancipor Oliveira Lopes. Curioso que o juiz João Batista só agora se vê nessa condição. Antes, ao receber o processo, poderia ter  logo declinado e não o fez. Sobreveio, segundo alegou, o motivo da suspeição. O que teria acontecido? Mistério… Cartas para a redação! Confiram e tirem suas conclusões.

"PUBLICAÇÃO DE INTIMAÇÃO Nº 732/2014  
REGISTRO DE CANDIDATURA Nº 1047-25.2014.6.14.0000 
RELATOR: JUIZ JOÃO BATISTA VIEIRA DOS ANJOS
REQUERENTE:PARTIDO TRABALHISTA BRASILEIRO- PTB
IMPUGNANTE(S): MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL
IMPUGNANTE(S): PARTIDO VERDE - PV/PA
ADVOGADO: MAURÍCIO DOS SANTOS GUIMARÃES
CANDIDATO(A): DUCIOMAR GOMES DA COSTA, CARGO SENADOR, Nº 141
ADVOGADOS: SÁBATO GIOVANI MEGALE ROSSETTI E OUTROS

Ficam INTIMADAS as partes, por seus advogados, do despacho abaixo: 
DESPACHO 
“Declaro, por motivo de foro íntimo, suspeição para apreciar o processo em epígrafe, nos termos do parágrafo único do art. 135 do Código de Processo Civil, bem como do parágrafo único do art. 183 do Regimento Interno do Tribunal Regional Eleitoral do Pará. Consigno, por oportuno, que o motivo subjacente ao presente ato é superveniente a distribuição do feito, situação esta juridicamente possível, na esteira do posicionamento jurisprudencial: "CONFLITO DE COMPETÊNCIA - SUSPEIÇÃO - MOTIVO DE FORO ÍNTIMO - ART. 135, § ÚNICO DO CPC - FATO SUPERVENIENTE - POSSIBILIDADE. 1. Firmou-se orientação no sentido de que o magistrado não é obrigado a declinar os motivos da suspeição por foro íntimo. Precedentes jurisprudenciais: AGA 1997.01.00.051445-3/DF; CC 1998.01.00.022827-2/DF. 2. A suspeição - em qualquer de suas formas - pode advir de algum fato superveniente. 3. Conflito de Competência conhecido, declarado competente o Juiz suscitante (6ª Vara da Seção Judiciária do Estado de Goiás)." (TRF da 1ª Região, Primeira Seção, CC A suspeição por foro íntimo, em razão de causa superveniente, não gera a nulidade dos atos processuais precedentes, sendo desnecessário que o julgador decline os motivos que o levaram a assim se declarar. Ademais, à míngua de qualquer nulidade, se a suspeição exsurge no decorrer do processo, os atos até então praticados devem ser tidos como válidos. Neste sentido, trago à lume o seguinte precedente jurisprudencial: "RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. SUSPEIÇÃO. FORO ÍNTIMO. MOTIVO SUPERVENIENTE. I - O juiz caso não se sinta em condições - obedecendo sua consciência - de presidir determinado feito, pode declarar sua suspeição por motivo íntimo. II - A suspeição por foro íntimo, assim declarada em decorrência de causa superveniente à instauração do processo, não importa na nulidade dos atos processuais anteriores a esse fato. III - Conquanto devidamente intimado, deixou o impetrante de acompanhar o procedimento de degravação, o que o inabilita a questionar a forma de realização do trabalho, a abertura do invólucro da fita e a da utilização da aparelhagem existente, circunstâncias somente verificáveis in loco. IV - Prova realizada em conformidade com a legislação pelo Serviço de Criminalística do Departamento de Polícia Federal do Paraná. Recurso desprovido." (STJ, Quinta Turma, RHC 199901119529, Ministro Felix Fischer, DJ de 14/08/2000, p. 180) 
Desse modo, remetam-se os autos à Presidência, para os fins dos arts. 78 e 184 do Regimento Interno do Tribunal Regional Eleitoral. Publique-se. Registre-se. Intimem-se. Belém (PA), 23 de setembro de 2014.
Juiz JOÃO BATISTA VIEIRA DOS ANJOS - Relator "

Acompanhem o andamento processual aqui.

Pará tem que se articular para obter novas receitas

Foto: Thiago Araújo
A bancada federal do Pará foi muito criticada, ontem à noite,   durante o Ciclo de Debates promovido pela Associação Comercial do Pará, com a participação do governador Simão Jatene(PSDB). Os empresários reclamaram que os deputados federais e senadores - de todos os partidos - se mantêm distantes da sociedade e não trazem recursos nem obras ao Pará. 

No salão nobre lotado de empreendedores de diversos setores e regiões do Estado, o governador expôs, durante duas horas e meia, seu pensamento sobre temas estratégicos, versando sobre infraestrutura, educação, saúde, desoneração de impostos e alternativas para novas fontes de receita.  Não sem antes dizer - em clara alusão à divulgação, pelo Diário do Pará e emissoras do grupo RBA, de gravação envolvendo sua filha Izabela Jatene -, que repudia qualquer tipo de controle ou manipulação de informação para servir a interesses particulares, afastando a política da ética: “Acho inaceitável que qualquer governo ou governante use o poder do Estado, sendo sua polícia ou o Fisco, por exemplo, para submeter a sociedade a seus interesses particulares. Não consigo entender e não aceito que se use o poder do Estado para intimidar, diminuir e submeter o cidadão”. 

“A nossa renda per capita é a 25ª menor do País e somos o 12º PIB nacional; com essa realidade, como poderemos ter indicadores de primeiro mundo? Se o Pará tivesse tributado em 13% as exportações no ano passado teria arrecadado, somente em 2013, cerca de R$4 bilhões. Isso é quase a receita total de investimento do Estado durante os quatro anos de governo, que é de R$5 bilhões, o que demonstra a importante contribuição do Pará para o desenvolvimento do País, recebendo em contrapartida o subdesenvolvimento do Estado. Não dá para financiar o desenvolvimento do Brasil com o empobrecimento do povo paraense”, desabafou Jatene, pregando a necessidade de encontrar novas fontes de receita e mobilizar a sociedade em torno dessa causa. 

O debate girou também em torno da questão mineral, da Lei Kandir, das ações judiciais do Governo do Pará que tramitam no STF - uma pedindo a compensação e a outra a regulamentação da compensação pela desoneração tributária -, da energia elétrica e do uso múltiplo das águas. Jatene disse que o Pará não pode mais esperar pela reforma tributária e é preciso tomar medidas mais ousadas. Tendo exportado US$15 bilhões em 2013, é inaceitável que o Pará disponha de apenas R$200 per capita mensais para tantas demandas a serem enfrentadas, em um Estado de dimensões continentais. Uma conta que não fecha,  quando se trata da qualidade de vida da população. 

Um novo modelo de administração foi proposto, com centros regionais do governo, nas áreas de Segurança Pública, Saúde, Educação,  Infraestrutura e Produção. Ao final da conversa, os empresários entregaram uma Agenda Mínima com os principais pontos de interesse do empresariado paraense. 


terça-feira, 23 de setembro de 2014

Ataque ao patrimônio histórico santareno

  Foto: arquivo
Foto: Semma
Foto: Ádrio Denner
Santarém acaba de perder mais um de seus ícones, o “Casarão Tapajônico”, também conhecido como Solar dos Braga ou dos Macambira, localizado na rua Siqueira Campos, entre as travessas 15 de Agosto e 15 de Novembro. Na sexta-feira (19), uma equipe de fiscalização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente constatou que o prédio havia sido demolido, restando apenas a fachada, como é comum em casos de burla à legislação de proteção ao patrimônio histórico, artístico e cultural. O casarão onde moraram dois dos primeiros e mais célebres políticos de Santarém, Sylvio Leopoldo de Macambira Braga, advogado, escritor, deputado federal e principal responsável pela instalação da usina hidrelétrica de Curuá-Una, e Cléo Bernardo de Macambira Braga, advogado, jornalista, poeta e cronista, pracinha da FEB nos campos da Itália na II Guerra Mundial, professor de Direito na UFPA e, no Colégio Moderno, de História e Economia, deputado estadual, ambos cassados pelo golpe militar de 1964, foi derrubado para dar lugar a um estacionamento.

O casarão tem mais de 150 anos. Lá chegou a funcionar uma luteraria, tocada pelo luthier Hugo Martinez e pelo violonista Sebastião Tapajós.  De acordo com o secretário de Meio Ambiente, Podalyro Neto, que interditou o local, o atual proprietário, cujo nome não foi revelado, admitiu que não tem licença, já foi notificado para pagar multa, que varia de R$ 5 mil a R$ 5 milhões, e cumprir obrigação de fazer . A Semma também já avisou o Ministério Público Federal e o Estadual sobre o acontecido, além do Instituto de Proteção ao Patrimônio Histórico e Arquitetônico Nacional - Iphan, e solicitou oficialmente para a Secretaria de Infraestrutura e Secretaria de Cultura do município que tipo de documentos o empreendedor pediu a esses órgãos. 

Há um ano tramita na Câmara Municipal projeto de lei que cria o Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Artístico e Natural, além de instituir o Fundo Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural, sem desfecho. Um ato público pelo fim do descaso com a cultura foi realizado na noite de domingo por integrantes do Movimento Arte e Cultura de Santarém, movimentos sociais e estudantis, além de profissionais de vários segmentos da sociedade. Cerca de 150 pessoas saíram da Praça São Sebastião, com velas, terços e vestidos de preto caminharam e fizeram paradas em frente a prédios históricos, passando pelo Museu Fona para alertar sobre a reforma do prédio, pela antiga Casa de Saúde, onde o prédio foi demolido de forma misteriosa há alguns anos, depois seguiram pela Adriano Pimentel e, em frente ao casarão onde funcionava a antiga padaria Lucy, demonstraram tristeza e revolta pela demolição da antiga construção, com azulejos portugueses, para ser transformada em um hotel de propriedade do deputado Antonio Rocha(PMDB). 

Chama a atenção o fato de ser o secretário de Meio Ambiente Podalyro Neto quem embargou a obra que destruiu o Casarão Tapajônico, assim como foi ele quem foi atrás do deputado Antonio Rocha por causa da destruição do prédio da antiga Panificadora Lucy, e quem tomou providências quando colocaram máquinas no Morro do Mirante. A Secretaria Municipal de Cultura, os vereadores, os deputados representantes de Santarém têm sido ausentes, mudos e quedos enquanto símbolos históricos e culturais de Santarém estão virando literalmente pó.  Uma questão que se impõe saber urgentemente: a área do Mirante - em frente à antiga Padaria Lucy - é contemplativa do encontro das águas dos rios Tapajós e Amazonas. Vão deixar construir um prédio que impeça essa visão, além de tapar a orla com paredão, aumentando o calor intenso da cidade? 

De Cléo Bernardo: 
“Essa corrupção, que envergonha e afronta a Nação, porque de governistas e de oposicionistas, à semelhança de outrora, não é somente em matéria de dinheiro ou de exploração do trabalho. Existem em penca os corruptos das ideias falsas. Existem sobrando os contrabandistas dos juramentos, conforme o poder mais alevantado que se erga. Hoje a palavra solenemente empenhada virou vaso noturno. É a subversão dos princípios, dos valores, dos encargos, trocando máscaras e substituindo mascarados. As tais razões de Estado se confundem com os morcegos: nem pássaros nem ratos são.” (Uma Bandeira Branca, 22/05/1977).

Audiência pública sobre o trânsito


Nota oficial do IHGTap

"O Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós – IHGTap, instituição de caráter científico e cultural, criada há dois anos com o objetivo de promover o estudo, a pesquisa e a divulgação da História, da Geografia, da Arqueologia e demais ciências correlatas na região oeste do Pará, conforme rege em seu estatuto, vem de público CONDENAR as ações que atentam contra a memória do povo desta região. A insensibilidade e a especulação imobiliária levam à depredação do nosso patrimônio arquitetônico. Tais práticas afetam o que resta de prédios e monumentos históricos de nossas cidades. EXIGIMOS que as prefeituras tomem as providências cabíveis para punir os culpados por tais crimes contra esse patrimônio! 

Santarém, do alto de seus mais de 350 anos de história, ainda está perplexa com as cenas chocantes difundidas pelos meios de comunicação, da derrubada criminosa de um desses prédios localizados no centro histórico da cidade, o conhecido Casarão Tapajônico, pertencente à família Macambira e que foi construído no final do século XIX. Artistas locais realizaram, inclusive, um protesto contra esse crime e outras instituições já se unem para se manifestar contra toda essa situação. 

Vale ressaltar que, desde 2009, pesquisadores de Santarém realizam eventos em parceria com instituições de ensino e órgãos da Prefeitura Municipal de Santarém, visando resgatar a importância destes espaços em meio ao crescimento da especulação imobiliária no centro histórico da cidade. Desse trabalho, já foram organizados catálogos descritivos de mais de 100 prédios que teriam valor histórico e cultural, a maioria deles pertencentes a famílias tradicionais, mas que se encontram abandonados. De lá para cá, nada foi feito para evitar que alguns destes casarões fossem desfigurados ou demolidos, como o já citado Casarão Tapajônico. 

Essas pesquisas contribuíram para que Santarém pudesse ser incluída no PAC/CH (Programa de Aceleração do Crescimento/Cidades Históricas), através do Iphan – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, órgão do Governo Federal, o que resultou, inclusive, na liberação de recursos que hoje são utilizados na recuperação do nosso Centro Cultural João Fona. Apesar de ainda não constar da lista das 44 cidades históricas do Brasil que recebem maiores investimentos deste programa, Santarém faz parte da lista de nove cidades consideradas históricas pelo Iphan/PA, juntamente com Afuá, Belém, Belterra, Bragança, Cametá, Óbidos e Vigia. 

Há registros de que, durante esse levantamento e catalogação de prédios históricos realizado nos últimos cinco anos, foi definido pelos então membros do Conselho Municipal de Cultura providências para o tombamento de prédios no perímetro entre as avenidas Rui Barbosa e Tapajós, Barão do Rio Branco e Adriano Pimentel, onde se concentra o maior número de edificações com valor histórico. A atual gestão da Prefeitura até chegou a criar, na Secretaria Municipal de Cultura, uma Divisão do Patrimônio Histórico, que até hoje só produziu um manual de tombamento de prédios, ainda sem utilização concreta. Além disso, há informações oficiais de que foram apresentados projetos junto ao Iphan para a recuperação de alguns logradouros históricos como a Praça Barão de Santarém (São Sebastião), Praça do Centenário (São Raimundo), Igreja Nossa Senhora Assunção (Vila Franca, rio Tapajós), antigo Cristo Rei (Av. Barão do Rio Branco - Centro), Igreja Nossa Senhora da Saúde (Alter do Chão), Igreja de Nossa Senhora de Santana (Arapixuna), Igreja de Santo Inácio de Loiola (Vila de Boim - rio Tapajós), Praça Rodrigues dos Santos, sitio arqueológico da Vera Paz e centro histórico de Santarém. 

Em que pese tais iniciativas, o que se percebe é que muito pouco ou quase nada foi feito para impedir a atual situação de destruição de alguns prédios do centro histórico de Santarém. A morosidade nessas decisões legislativas e a omissão do Poder Executivo são inexplicáveis e devem receber a prioridade que a atual situação exige. Com a demolição do Casarão Tapajônico, entre outros atentados ao Patrimônio Arquitetônico, Histórico e Cultural de Santarém, vai-se nossa história, nossa identidade. 

Vale ressaltar, ainda, que em todo o oeste do Pará existe um patrimônio histórico, artístico e cultural que vem sofrendo grande pressão das iniciativas econômicas que se implementam na região. Santarém, Óbidos e Monte Alegre, só para citar cidades já com pesquisas no campo do patrimônio, acompanham um processo acelerado de depreciação dos marcos materiais de suas histórias. Para nós, esse processo deve ser enfrentado e revertido. É preciso, e com urgência, iniciar campanhas, através das prefeituras, pela compreensão da importância para a identidade de uma região, do respeito, preservação e ressignificação de seu patrimônio histórico. 

Soma-se a essa tendência o que são as políticas municipais no trato do patrimônio material. Tais políticas são marcadas muitas vezes pela inexistência ou inoperância dos Conselhos Municipais de Cultura e pela ausência de leis municipais que impulsionem políticas para uma agenda positiva para a preservação e revitalização do patrimônio histórico e artístico. 

Ante o exposto, o Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós - IHGTap vem manifestar pela urgência da apresentação e discussão pública de um Projeto de Lei que implante o Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Artístico e Natural e institua o Fundo Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural, como forma de impedir, principalmente, um maior avanço da especulação imobiliária aos prédios que ainda restam na parte histórica das cidades do oeste do Pará. 

Santarém, 23 de setembro de 2014. 
A Diretoria do IHGTap"

A hora de a onça beber água

 Na Rádio Bizum do serpentário político, é tido como certo que o presidente da Alepa, deputado Márcio Miranda(DEM), o 1º vice-presidente, deputado Júnior Ferrari(PSD), e o 1º Secretário da Mesa Diretora, deputado Eliel Faustino(SDD), serão reeleitos com grande votação. Também estão bem cotados o presidente da Comissão de Constituição e Justiça e Ouvidor da Casa, deputado Raimundo Santos(PEN); o líder do PT, deputado Edílson Moura; a deputada Cilene Couto(PSDB); e os deputados Chicão(PMDB), Sidney Rosa e Cássio Andrade, ambos do PSB. Cássio é o segundo vice-presidente da Alepa.

Escola da Terra Firme é modelo

Vejam este exemplo de que quando todos se envolvem o mundo fica melhor: a Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dr. Celso Malcher, do bairro da Terra Firme, em Belém, conhecido pela violência, obteve o melhor Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico (Ideb) do Pará. No âmbito do Pacto pela Educação, o resultado corresponde à meta do programa que vai, até 2017, transformar o Estado em referência nacional na melhoria da qualidade da educação. 

Hoje os alunos, professores e servidores podem entrar na escola, se sentir bem, acolhidos e respeitados. Para isso foi desenvolvido trabalho através do Observatório da Violência e da Juventude, com o que a comunidade escolar conseguiu sistematizar eixos de abordagem das questões relacionadas com a violência, como a depredação do patrimônio, os furtos na escola, as agressões físicas e verbais, o bullying e a homofobia. Assim, foi possível construir a prática de identificar cada problema e contorná-los a partir de palestras, reuniões e apoio de grupos parceiros. O diretor Luiz Malato agregou parcerias com o Governo do Estado, via Pro Paz e PM, que faz policiamento ostensivo, mas também trabalho de prevenção e combate às drogas, estreitou o relacionamento com os Conselhos Tutelares e, mais recentemente, conseguiu a parceria do Programa Itaú Social.  
Os diretores entendem que, para alcançar bons resultados, as escolas dependem de gestão, prevenção e formação dos professores.  Mudar a cultura da violência e fomentar um novo pensamento são os objetivos em comum. “Isso demanda muito tempo. Então, a distância entre os dados e a ação e políticas públicas é hoje o nó que precisamos desfazer”. 

Alunos que entram armados em sala de aula e ameaçam outros alunos é uma triste realidade que precisa acabar. Proibir o uso de telefone celular nas salas de aula pode ser um bom começo. E a participação das famílias e da sociedade como um todo é fundamental.