O sol brilhava e ardia e escorria o suor sobre nossas faces, misturado às lágrimas da despedida. E até aqueles cujo ofício era preparar a última morada de seu corpo, diziam, com naturalidade desconcertante: é o Juca. Marise ouvia e endossava: sim, é o Juca, nosso querido Juca. E todos nós, no íntimo, guardávamos mais uma prova do carisma do nosso amigo que se foi do nosso convívio. Ele era assim, capaz de se tornar íntimo das pessoas que jamais o tinham visto, perscrutar-lhes a alma, sondar as suas entranhas. E de tudo extrair um sumo rico, que ele nos presenteava com maestria em seu 5ª Emenda, leitura obrigatória e agradabilíssima.
Ele não conseguiu ir ao mais recente recital da minha Gabi, nem eu consegui encontrar um dia que conciliasse nossas agendas para degustar um filé cuja receita era de sua saudosa mãe Cecé Arruda e ele se oferecera para preparar na minha casa, temperado pela sua alegria e pelos gostosos papos, ao lado da Marise.
Gabi cantou, emocionada, aos pés do jazigo, Amazing Grace, um hino do século XVIII composto para celebrar a liberdade, a cidadania e a salvação da alma, ideais pelos quais Juvêncio Arruda sempre pugnou e que deixa como herança a todos nós.

7 comentários:
Eita, que ele gostou daquele canto, heim!
Agosto vem aí, e as flores, como sempre, floreceram.
Juva me fez mais essa, conheci o canto da Gabi. Viva o Juva!
14 de julho, data simbólica aos ideais da modernidade. Há 230 anos, o povo francês derrubava a prisão de Bastilha. Os ventos da liberdade continuam a soprar pelas novos verões. Às armas, cidadãos... Vai-se um legítimo montanhês a imortalizar-se nos novos tempos. Às armas, às armas...
Que dia triste. Sabe Franssi, o Juvêncio era único mesmo, tinha uma generosidade magnifica, que só os grandes tem.
Fiquei hoje o dia todo olhando para o computador, sem acreditar, esperando que algo novo chegue.
Não vai chegar.
O difícil é a gente se acostumar.
Beijos
Franssi,
Não tive o prazer de conhecer pessoalmente o Juca. No entanto, pelo espaço da blogosfera (no 5ª e blog do Jeso) nos tornamos camaradas, trocamos ideias, informações, afetos. Ele prometeu que iria ao nosso encontro dos 30 anos do "Terceirão 1979", do CDA.
Seu texto tão sensível e emocionante me invade na noite de Floripa, após um dia intenso de labuta de uma grande reportagem que estou produzindo...
E suas palavras são o canto (e a certeza) de que temos em você, e em outros tantos amigos e amigas, companheiros dessa aventura humana chamada jornalismo, que a herança deixada pelo Juvêncio viverá em nossos corações, para sempre!
Beijos no teu coração, com afeto e imensa saudade.
Samuca
Lafayette, Juca dizia que estava aprendendo a gostar de música de câmara e de ópera com a Gabi. Por isso cantar para ele foi o modo que ela encontrou para se despedir dele.
Sim, Cássio, hoje é uma data para lá de significativa. Fiz um post a respeito aí em cima.
Querido Samuel, que bom tua presença aqui. Seu comentário é a confirmação do quanto Juca era especial e assim permanecerá para sempre em nossos corações. Jamais esquecerei seu jeito de irmãozão protetor, sua capacidade de agregar, de descobrir pessoas e fatos. O Chico, bem antes de mim, era muito amigo dele, irmão de Maçonaria. Também está sentindo demais a saudade.
E em todos nós a marca indelével que o Juca soube imprimir em nossos corações jamais desaparecerá. Grande beijo, com saudades.
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